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Política

Eleições municipais são só municipais, como convém que sejam

Os eleitores não poderiam mesmo agir de forma diferente. Afinal de contas, o que está em jogo na escolha é o futuro da cidade onde moram, da segurança à saúde

Publicado em 20 de Novembro de 2020 às 10:29

Públicado em 

20 nov 2020 às 10:29
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Urnas eletrônicas
TRE prepara urnas eletrônicas de eleição de 2020 Crédito: Carlos Alberto Silva
As eleições municipais deste ano, que ainda não terminaram nas cidades que terão segundo turno, comprovaram, mais uma vez, o que todas as eleições municipais brasileiras comprovam: a de que a influência dos líderes políticos nacionais no voto do eleitor é praticamente nenhuma. Basta ver a diversidade de resultados para constatar que as questões locais prevalecem quando os eleitores escolhem seus prefeitos e vereadores.
Os eleitores, convenhamos, não poderiam mesmo agir de forma diferente. Afinal de contas, o que está em jogo na escolha é o futuro da cidade onde moram. São os chamados interesses paroquiais, que vão da segurança – item apontado como prioritário pelos eleitores pesquisados em Vitória – à saúde – afinal estamos vivendo (ou sobrevivendo) a maior crise sanitária nos últimos cem anos –, que são considerados na hora do voto.
Só isso explica, por exemplo, que Jair Bolsonaro tenha tido 63% dos votos dos eleitores de Vitória em 2018 e, dois anos depois, o Capitão Assumção – que se intitulava como o único candidato realmente “fechado” com Bolsonaro – tenha sido escolhido por apenas 7% dos eleitores. Em São Paulo, foi curioso ver Guilherme Boulos, que teve 617 mil votos em todo o país quando foi candidato a presidente da República há dois anos, ser agora votado na eleição para prefeito por 1 milhão de eleitores na cidade de São Paulo.
É claro que as ligações políticas de cada um dos candidatos acabam influenciando a escolha dos eleitores, principalmente no segundo turno, quando as opções de escolha se reduzem a duas. É quando surge, junto com o voto “a favor”, também o “voto contra”. Não é por outra razão que as campanhas eleitorais passam a destacar essas ligações quando elas são negativas para o rival.
Os responsáveis pelas campanhas dos candidatos que vão disputar o segundo turno no Espírito Santo sabem disso, tanto que provavelmente vão procurar “esconder” alguns apoios que podem tirar mais votos do que acrescentar. Tudo leva a crer, por exemplo, que o eventual apoio dos bolsonaristas a algum candidato não será anunciado porque, em tempos de pandemia, isso pode ser visto como algo negativo pelo eleitorado capixaba. Da mesma forma, não é recomendável trombetear um hipotético apoio dos lulistas já que as urnas de 2018 comprovam que essa ligação não é bem-vista pela maior parte do eleitorado.
Por isso, o tom das campanhas do segundo turno provavelmente se concentrará nas propostas para a cidade. O que é saudável e positivo para que as disputas não descambem para o campo da radicalização que tanto mal tem feito ao país. Afinal de contas, as eleições municipais são só municipais como, aliás, convém que sejam.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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