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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Governo Casagrande expande o seu poder nos municípios do ES

De cada 4 prefeitos eleitos no último domingo, 3 são aliados do Palácio Anchieta (filiados ao PSB ou a partidos da base). Isso contando só o interior, pois maiores cidades foram para o 2° turno

Publicado em 20/11/2020 às 10h04
Atualizado em 20/11/2020 às 11h39
PSB: pomba como símbolo, mas bico de pelicano
PSB: pomba como símbolo, mas bico de pelicano. Crédito: Amarildo

Os resultados extraídos das urnas em todo o Espírito Santo, no último domingo (15), foram bem satisfatórios para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), sigla do governador, mas foram melhores ainda para Renato Casagrande e seu governo. Pelos cálculos dos dirigentes do partido, independentemente da sigla, 3 de cada 4 prefeitos eleitos no domingo são aliados e parceiros políticos do governo Casagrande, o equivalente a 75% dos vencedores no 1º turno. Isso numa perspectiva conservadora. O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, fala em 83%. Ou seja, dos 74 prefeitos já consagrados nas urnas, 62 são considerados bons aliados do governo Casagrande. Foi uma varrida eleitoral no interior.

Protocolarmente, eles sempre tentam dissociar: governo é governo, partido é partido; governo Casagrande é uma coisa, PSB é outra. Até em razão da força política concentrada hoje pelo PSB e do espaço ocupado por quadros do partido na estrutura do governo (com cinco secretários de Estado, contando a chefe de gabinete, além da vice-governadora), muitas vezes as duas instâncias são indissociáveis.

Numa análise como esta, porém, é preciso separá-las: nem tudo o que foi ruim para o PSB foi ruim para o governo Casagrande, muito menos para o projeto político do governador (leia-se, fundamentalmente, ampliar sua zona de influência nos municípios e facilitar sua reeleição daqui a dois anos).

É claro que as vitórias particulares do PSB são consequentemente uma vitória pessoal para Casagrande. Mas, para além de uma análise sobre perdas e ganhos do PSB, cabe um balanço específico sobre o saldo destas eleições municipais para o próprio Casagrande e seu governo. E aí chegamos aos números destacados na abertura do texto, repassados à coluna (olha aí a interseção) pela direção estadual do PSB.

Mesmo como campeão de prefeitos eleitos no domingo (13 ao todo), o PSB não pode dizer que tenha tido um desempenho maravilhoso nesse pleito. Quando colocamos esse número em perspectiva, temos um aproveitamento de regular para bom. Era natural (quase obrigatório) que o partido atualmente no poder no Estado fosse o campeão nesse quesito, não só por ser precisamente o partido no poder, mas porque foi, de longe, a sigla que mais lançou candidatos próprios: o partido de Casagrande concorreu diretamente à prefeitura de 39 dos 78 municípios capixabas (rigorosamente, a metade).

Ora, 13 prefeitos eleitos em 39 prefeitos possíveis é exatamente um em cada três, ou seja, 33,33%. Um aproveitamento, no máximo, mediano. Para fazer justiça a Gavini, o presidente do PSB no Estado, já na manhã de domingo, em conversa com a coluna, projetava que o partido faria de 13 a 15 prefeitos.

Outro experiente dirigente do partido externa, porém, que o PSB esperava mais: na faixa de 15 a 20 prefeitos. E, se por um lado a legenda ganhou algumas prefeituras inesperadas, em cidades muito pequenas, como Vila Pavão, por outro perdeu outras que, nas planilhas dos dirigentes socialistas, praticamente já vinham com um X na coluna de “vitórias seguras” ou “muito prováveis”. Entre elas, as de São Gabriel da Palha, Rio Bananal (onde o atual prefeito, Felismino Ardizzon, ganhou até vídeo de apoio de Casagrande) e, principalmente, Nova Venécia, onde o prefeito Barrigueira Lubiana não conseguiu fazer de Edson Marquiori o seu sucessor.

Além disso, à exceção de Cachoeiro de Itapemirim, os 13 municípios onde o PSB teve êxito são cidades muito pequenas: Muqui, Ponto Belo, São José do Calçado e por aí vai... No total, correspondem a uma população de 414,2 mil habitantes (10,2% da população do Espírito Santo, ou pouco mais que uma Cariacica). Sem contar Cachoeiro, dá 203,6 mil pessoas (5% da população capixaba).

PROBLEMAS NA GRANDE VITÓRIA

Já na Grande Vitória, o PSB teve candidatos até demais, sem necessidade, indispôs-se em alguns lugares com aliados do governo (como em Vitória, Cariacica e Serra), mas passou muito longe de eleger um só prefeito. Está certo: poderão sempre argumentar que nenhum dos nomes do PSB na região era favorito… mas isso nos devolve à pergunta: então por que a teimosia em lançar todos eles?

Parece ter havido aí um descompasso entre a vontade da direção do partido e o cálculo do que melhor convinha ao governo Casagrande. Este, por sua vez, mostrou não ter tanto controle assim sobre o próprio partido no Estado, apesar de ser naturalmente o seu maior líder regional.

Em Vitória, ainda que não abundantes, os votos de Sérgio Sá (PSB) atrapalharam Gandini a chegar ao 2º turno. Gandini e seu Cidadania (partido de Luciano Rezende) são parceiros estratégicos do governo. Já na Serra, os votos de Bruno Lamas (PSB), ainda que aquém do esperado, podem ter concorrido para evitar que Sérgio Vidigal ganhasse em 1º turno. E Vidigal e seu PDT são, igualmente, grandes aliados de Casagrande. Gandini e Vidigal, por sinal, presidem as respectivas siglas no Estado.

Por outro lado, se o PSB não elegeu tantos prefeitos, se passou longe da glória na Grande Vitória e se quase todos os seus triunfos foram em cidadelas do interior, os resultados do 1º turno, aí sim, para o governo Casagrande, foram muito favoráveis a ele. Indicam uma temporada de paz e praticamente hegemonia política no Espírito Santo, pelo menos no interior (que representa metade da população capixaba).

Essa hegemonia política de Casagrande poderá se acentuar no próximo dia 29, a depender dos resultados do 2º turno, que guarda alguns pontos de preocupação e alerta para o Palácio Anchieta, conforme detalharemos numa próxima coluna.

A IMPORTÂNCIA DE CACHOEIRO

Disparadamente a maior cidade do Sul do Estado, Cachoeiro de Itapemirim tem, sozinha, com seus 210,5 mil habitantes, mais que a soma dos moradores das outras 12 cidades onde o PSB venceu a eleição (203,6 mil). Sem contar Cachoeiro, a população média das cidades a serem administradas pelo PSB no Estado a partir de 1º de janeiro fica em torno de 17 mil habitantes por município. Incluindo Cachoeiro na conta, essa média salta para cerca de 32 mil pessoas por cidade.

PSB COM O REPUBLICANOS

Partido de Amaro Neto, Erick Musso e Sérgio Meneguelli, o Republicanos foi a segunda legenda que mais lançou candidatos a prefeituras e a segunda que mais elegeu prefeitos no Estado no último domingo, com vitória em 9 municípios (empatada com o Cidadania e atrás apenas do PSB nas duas categorias). E ainda pode eleger Lorenzo Pazolini em Vitória. Mas os dirigentes do PSB incluem os futuros prefeitos do Republicanos no rol de aliados – até porque o PSB apoiou 5 desses 9 prefeitos eleitos pelo outro partido (em Ibatiba, Iconha, Mimoso do Sul, Pedro Canário e Sooretama).

Que o Republicanos se fortalece muito nessa eleição municipal, não cabe a menor dúvida. Resta saber até que ponto esse crescimento político do partido de Amaro, Erick e Meneguelli pode ameaçar, ou não, a hegemonia do grupo político de Casagrande no Estado nos próximos anos.

VITÓRIA DA VICE-GOVERNADORA

Como todos sabem, a vice-governadora Jaqueline Moraes é pessoalmente engajada, sobretudo dentro do próprio partido, na causa da ampliação da participação feminina nos espaços de poder. Mais uma vez, infelizmente, apesar de todas as campanhas, o resultado nesse aspecto foi muito ruim (por exemplo, só uma mulher eleita no ES entre 78 prefeituras). Mas Jaqueline ao menos pode celebrar uma pequena vitória pessoal: das 88 vereadoras eleitas em todo o Estado, 17 são do seu PSB, ou seja, uma em cada cinco.

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