Ao proibir os comícios e passeatas nas campanhas eleitorais, as autoridades da saúde no Espírito Santo, mais uma vez, dão uma demonstração de que estão com os pés no chão. A quantidade de mortos em decorrência da contaminação do coronavírus decresceu no Estado – como, aliás, aconteceu também, de uma maneira geral, em todo o país – mas não se pode dar chance para que a contaminação retorne aos níveis de junho e julho.
Até porque os efeitos são imediatos, como comprovam as aglomerações que se formam em alguns balneários durante os feriadões coincidindo com o recrudescimento dos casos duas semanas depois. A questão dos comícios e passeatas confirma a regra: as campanhas eleitorais, no caso da Região Metropolitana da Grande Vitória, já foram as responsáveis pela contaminação de 12 candidatos.
Alguns desses casos são emblemáticos, como a reunião de uma multidão no clube Álvares Cabral em apoio a um candidato que resultou, poucos dias depois, na contaminação do próprio candidato. As cenas das pessoas aglomeradas, sem respeitar o distanciamento social, e os abraços dados no candidato e pelo candidato foram uma estrada aberta para que o vírus se propagasse com força entre os participantes da reunião.
E não só nas campanhas políticas está a atenção das autoridades da saúde capixabas. Da mesma forma como havia devolvido 130 leitos de UTI para atendimento a outras doenças, quando a ocupação desceu a níveis inferiores a 60%, as autoridades de saúde, por precaução, anunciaram quarta-feira (04) a aquisição de 120 leitos, sendo 60 de UTI, da rede privada e filantrópica, ao perceberem um aumento de casos leves de Covid. A medida se faz necessária para que o sistema de atendimento não corra o risco de chegar ao nível próximo de um colapso.
São medidas assim, de prudência e bom senso, que fazem com que a condução da política de combate à pandemia, no Espírito Santo, esteja servindo de referência para os outros Estados da federação. As interdições às atividades não essenciais foram adotadas no momento adequado, assim como a preparação dos leitos necessários ao atendimento aos doentes. Foram corretas, também, as campanhas de prevenção estimulando o isolamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos.
Política, aliás, bem diferente da adotada pelo governo federal que fez exatamente o contrário do que deveria fazer. O próprio presidente da República não se cansa de dar maus exemplos de desrespeito às recomendações das autoridades de saúde de todo o mundo, aparecendo sem máscara próximo a aglomerações. Não é sem razão que ele próprio foi contaminado, assim como a maioria dos seus ministros, inclusive o ministro da Saúde.