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Futebol brasileiro mais uma vez se recusa a parar em meio à pandemia

Lisca desabafou, o Ministério Público se manifestou, e os números da Covid-19 não param de subir. Mas nada parece ser capaz de interromper as competições no Brasil

Publicado em 06 de Março de 2021 às 03:15

Públicado em 

06 mar 2021 às 03:15
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Lisca
Lisca desabafou e pediu à CBF para interromper a Copa do Brasil Crédito: Premiere/Reprodução
Futebol em meio à pandemia de Covid-19 é um assunto que já está há um ano nas mesas de debate sobre o esporte. Nesse período, presenciamos alguns momentos mais caóticos e outros mais leves. O novo coronavírus permaneceu bem presente durante todo esse tempo, mas muitos preferiram fechar os olhos e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. Postura grave, a qual pagamos o preço até hoje, alguns inclusive, com suas vidas.
Com o Brasil vivendo um terceiro pico da doença e voltando a ter números alarmantes em parte considerável de seu território, a interrupção de competições seria o caminho mais acertado. Mas em um meio onde não há inocentes eque dirigentes acumulam  decisões e atitudes questionáveis, dificilmente veremos isso acontecer. A bola deve continuar rolando viva nos gramados país afora.
Esta última semana foi marcada pelo forte apelo do técnico Lisca Doido, que em rede nacional clamou para que a CBF interrompesse a Copa do Brasil. Pedido que também repetiu nas redes sociais do clube mineiro. Quem diria que o “Doido” se mostraria sensato. Só que esse mesmo Lisca, há quatro meses ignorou protocolos e comemorou uma vitória nos braços dos torcedores do Coelho. Atitude que foi lembrada por algumas figuras do futebol quando viram o treinador gritar por cuidados com a Covid-19.
O erro de Lisca no passado de forma alguma tira a legitimidade de seu protesto recente. Antes tarde do que nunca, ele aprendeu. Mas também é o exemplo das escolhas que muitos clubes e dirigentes fizeram no ano passado. Todos sempre souberam dos riscos da doença, mas, assim como em outros vários segmentos do país, decidiram “fazer a economia girar”. Ignorar riscos e manter as atividades se tornou unanimidade entre os clubes brasileiros. Os que tentaram resistir foram engolidos e em pouco tempo assimilaram o discurso.
Além de Lisca, o Ministério Público também tenta interferir. A entidade vai recomendar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a paralisação de suas competições. Mas a entidade, que realizou nesta última semana o sorteio da Copa do Brasil, que terá 40 jogos nas próximas duas semanas, não está muito disposta a ceder. Pelo contrário, já sinalizou que na próxima segunda-feira (08) vai apresentar um relatório sobre o número de contaminados pelo coronavírus em seus campeonatos de 2020, com a certeza de que os protocolos são suficientes para manter a segurança de atletas e demais atores do jogo.
Nem precisa ter boa memória para lembrar o caos que foi o início do Campeonato Brasileiro do ano passado com centenas de jogadores contaminados, times completamente desfigurados em campo e funcionários dos clubes morrendo. Mas querem nos vender a ideia que tudo correu bem e que não há problemas em repetir a fórmula mesmo com o país voltando ao caos.

260.970 Mortes

Essa é a quantidade de óbitos provocados pela Covid-19 no Brasil até a noite de sexta-feira (05)
A decisão está nítida para quem quiser ver. Não há intenção de paralisar nada, e várias federações são coniventes. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Ferj já está pensando em experimentar a presença de público no Fla-Flu válido pela terceira rodada do Campeonato Carioca, e os principais clubes da competição concordaram. Surreal. Apenas as federações de Santa Catarina, Paraná e Ceará paralisaram seus estaduais.
No contexto geral, o futebol é apenas mais um retrato da nossa sociedade. O Brasil virou isso aí mesmo. Nos resta torcer para não acontecer o pior.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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