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Internacionalização

A vez dos gringos: 30% dos técnicos no Brasileirão são estrangeiros

Dos 20 técnicos dos clubes da Série A, seis são de fora do Brasil. Mercado está mais aberto a novas ideias, mas alguns nomes foram bem pensados e outros chegam para apagar incêndios

Publicado em 07 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 nov 2020 às 05:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Dome (Flamengo), Sampaoli (Atlético-MG), Coudet (Internacional), Sá Pinto (Vasco), Abel Ferreira (Palmeiras) e Ramón Díaz (Botafogo) são os técnicos estrangeiros na Série A do Brasileiro
Dome (Flamengo), Sampaoli (Atlético-MG), Coudet (Internacional), Sá Pinto (Vasco), Abel Ferreira (Palmeiras) e Ramón Díaz (Botafogo) são os técnicos estrangeiros na Série A do Brasileiro Crédito: Divulgação
sucesso de Jorge Jesus no Flamengo em 2019 fez o futebol brasileiro olhar para os técnicos estrangeiros de uma forma diferente. A pátria que se orgulha em bater no peito para se afirmar “O País do Futebol” já recebeu outros treinadores gringos, mas sempre com uma boa dose de desconfiança e uma pitada de prepotência, afinal “só nós somos pentacampeões mundiais” ecoa o argumento que supervaloriza os professores brasileiros. 
Entretanto, o técnico português não apenas foi multicampeão, mas fez uma equipe encantar. O Flamengo de Jesus era avassalador, insaciável na busca pelo gol: venceu e convenceu. Diferentes de outros times campeões, mas bem protocolares que vimos nos últimos anos. A postura de jogo diferenciada foi o que realmente chamou a atenção e provocou reflexos no mercado de treinadores no Brasil.
Com o recente anúncio de Ramón Diaz como o novo treinador do Botafogo, entre os 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, agora seis são comandados por estrangeiros: o equivalente a 30% dos técnicos na competição mais importante do país. O argentino se junta a seus conterrâneos Jorge Sampaoli (Atlético-MG) e Eduardo Coudet (Internacional), aos portugueses Ricardo Sá Pinto (Vasco) e Abel Ferreira (Palmeiras), e ao catalão Domènec Torrent (Flamengo). 
A abertura ao mercado internacional acontece porque há uma geral insatisfação com os trabalhos dos técnicos brasileiros, em sua maioria previsíveis e com pouca ousadia. Mesmo os que ainda conseguem resultados têm seus estilos questionados. Quando o Flamengo fechou com Jorge Jesus, provocou uma ruptura das contratações óbvias para fazer uma aposta. O resultado foi fenomenal, e fez com que os clubes se movimentassem. Agora, cada um busca o seu messias, porém também é perceptível que nem sempre as motivações são as mesmas.

SOLUÇÕES PENSADAS DE FORMAS DIFERENTES

Domènec Torrent (Flamengo), Jorge Sampaoli (Atlético-MG) e Eduardo Coudet (Internacional) não fazem trabalhos ruins, mas já foram questionados
Domènec Torrent (Flamengo), Jorge Sampaoli (Atlético-MG) e Eduardo Coudet (Internacional) representam projetos que foram pensados Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo - Bruno Cantini/Atletico e Ricardo Duarte/Internacional
Após ver Jorge Jesus decidir seguir para o Benfica, o Flamengo teve que ir ao mercado, e manteve a linha para trazer Domènec Torrent. Com abenção de Pep Guardiola, o catalão assumiu a missão de manter o Flamengo em patamar elevado. Assunto que discutiremos ao fim da temporada. Atlético-MG e Internacional também montaram projetos. O Galo viu o bom trabalho que Sampaoli realizou no Santos no ano passado e abriu os cofres para contar com o diferenciado treinador. Já o Colorado notou a evolução de Coudet e seu desempenho no Racing para decidir arriscar no treinador. Estudou e fez uma boa escolha. 
Já Vasco, Palmeiras e Botafogo chegam aos gringos por meio de caminhos tortuosos. Ao demitir Ramon Menezes, o Cruz-Maltino recebeu várias negativas de treinadores brasileiros. Sá Pinto se mostrou uma opção possível, por isso desembarcou em São Januário. O Verdão tenta corrigir um erro. Quando trocou de técnico para a temporada apostou em Vanderlei Luxemburgo, que, mesmo com um bom elenco nas mãos e o título do Campeonato Paulista, fez um trabalho constrangedor.Abel Ferreira chega com status de um dos melhores da nova geração, mas terá que reconstruir a confiança do elenco. 
O Botafogo está em seu quarto técnico na temporada. Don Ramón, técnico que carrega história vencedora no comando do River Plate, chega como quebra de paradigmas, mas também como um bombeiro para apagar esse incêndio que é o time alvinegro. O planejamento alvinegro não é exemplo, mas a escolha criativa aponta uma esperança que algo novo possa acontecer.
Ricarso Sá Pinto (Vasco), Abel Ferreira (Palmeiras) e Ramón Diaz (Botafogo) serão pressionados por resultados
Ricarso Sá Pinto (Vasco), Abel Ferreira (Palmeiras) e Ramón Diaz (Botafogo) serão pressionados por resultados Crédito: Rafael Ribeiro/Vasco - Cesar Grecco/Palmeiras - Divulgação
É interessante ver essa movimentação no país. Estar aberto para visões diferentes sobre futebol é muito bom e esse intercâmbio certamente se mostrará benéfico para a escola brasileira de treinadores. Agora é observar se os gringos vão resistir à forte pressão por resultados. 
Líder do Brasileiro, classificado na Libertadores e na Copa do Brasil, Coudet já balançou no Inter por não vencer um Gre-nal. Dome já foi questionado algumas vezes no Flamengo,assim como Sampaoli no Atlético. Imaginem a pressão sobre os ombros de Sá Pinto, Abel Ferreira e Ramón Diaz, que chegam no meio da temporada em times que precisam mostrar poder de reação. O Brasil não é nada fácil.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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