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Trânsito

Bicicletas elétricas: avanço de mobilidade que virou ameaça

Não basta que as bikes elétricas usem energia limpa e desafoguem o trânsito. Para serem uma solução em vez de mais um problema à mobilidade, seus condutores devem conviver em harmonia e respeito aos demais veículos e transeuntes

Publicado em 21 de Novembro de 2025 às 04:30

Públicado em 

21 nov 2025 às 04:30
Caio Neri

Colunista

Caio Neri Caio Neri
As bicicletas elétricas pareciam ideais para uma região metropolitana como a da Grande Vitória, já que não poluem, encurtam as distâncias e, principalmente, evitam o trânsito, que parece crescer a cada dia, notadamente porque o sistema de transporte coletivo não se mostra mais atrativo que o individual. Mas, com o tempo, tornaram-se verdadeiras ameaças no trânsito das cidades, principalmente contra os pedestres, que continuam sendo os mais vulneráveis entre carros, motocicletas e e-bikes.
A despeito de serem, num primeiro momento, alternativas viáveis e sustentáveis para a mobilidade urbana, a falta de regulamentação adequada, somada à expansão na venda dessas bicicletas, acabou sendo o cenário para seu uso imprudente, já que muitos usuários, lamentavelmente, comportam-se em sua direção como se não houvesse outros atores no trânsito. Essa realidade, que já era sentida nas ruas, virou número e interrompeu a vida de uma pessoa no Espírito Santo.
Conforme publicado por A Gazeta, o Estado já contabilizava mais de 100 acidentes envolvendo bicicletas elétricas neste ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Foram 114 ocorrências atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) até agosto, a maioria na Grande Vitória: Vila Velha (54), Vitória (22), Serra (12), Guarapari (5) e Cariacica (4). No início deste mês, após mais de vinte dias internada, faleceu uma idosa de 82 anos, atropelada por uma bicicleta elétrica na contramão, quando voltava da farmácia, a poucos metros de casa, na Enseada do Suá, em Vitória.
Bike elétrica
Bike elétrica Crédito: Fernando Madeira
Espera-se que o Ministério dos Transportes e o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleçam regras claras para classificação, registro, licenciamento, habilitação e condições de circulação desses veículos, além de definirem mecanismos eficazes de fiscalização e penalização de condutas irregulares, uma vez que as cenas e os registros de acidentes envolvendo as e-bikes são cada vez mais frequentes no dia a dia das cidades.
Não se trata apenas de proibir ou multar, mas de regulamentar para conscientizar e salvar vidas, uma vez que, infelizmente, o arbítrio e a falta de senso de cidadania e de socialidade de uns pode se transformar em tragédia para outros. Não basta que as bikes elétricas usem energia limpa e desafoguem o trânsito. Para serem uma solução, em vez de mais um problema à mobilidade, seus condutores devem conviver em harmonia e respeito aos demais veículos e transeuntes.

Caio Neri

Caio Neri Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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