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Economia

O Brasil pode encontrar caminhos para sair do pesadelo

Temos as lanternas acesas pelo agronegócio brasileiro. Só ele cresceu em 2020: 2,0%

Publicado em 06 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

06 mar 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Amazônia, Brasil
Crise sanitária aumentou a atenção do mundo para a Amazônia Crédito: Nathalia Segato/ Unsplash
Terminamos a semana com a sensação de pesadelo. Tempestade perfeita. Crise sanitária, fiscal, política e institucional. E a notícia de que o PIB caiu 4,1% em 2020, com nova “década perdida” entre 2011 e 2020. Saímos do grupo das dez maiores economias e estamos na 12ª posição. Mas vimos, aqui e ali, lanternas acesas na escuridão.
Temos as lanternas acesas pelo agronegócio brasileiro. Só ele cresceu em 2020: 2,0%. Temos as fortes iniciativas da sociedade civil e dos governadores e prefeitos para a compra das vacinas. Temos a pressão sobre o Congresso para aprovar o auxílio emergencial e buscar saídas para o caos fiscal. Temos a reação federativa dos governadores e os alertas da mídia para atenuar a crise político-institucional. E temos sinais externos: tanto do governo Biden, de cooperação com o Brasil, quanto da nova conjuntura de valorização das commodities e de crescimento da China.
Somadas as lanternas, o que as marchas da insensatez e dos fatos nos escancaram é que não há saída sem a reação da sociedade organizada; dos governadores e prefeitos; e da mídia. Um somatório de reações que já estão fazendo um movimento de baixo para cima, da sociedade para o poder constituído. Movimento ainda lento, mas já contínuo. Que já pressiona e fiscaliza o Congresso. E acende luz vermelha para chamar a atenção do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isto, a crise sanitária aumenta a atenção do mundo para a Amazônia. Alerta que o desmatamento não é só uma questão climática. É também uma questão pandêmica. “Está cheio de repositório viral na Amazônia”, diz Mônica de Bolle. Portanto, diz ela, o Brasil passa a ser visto, mais ainda, como um país que coloca em risco a humanidade.
Tanto que o presidente Joe Biden dá sinais crescentes de que continua vendo o Brasil como aliado, e que o presidente Jair Bolsonaro deverá ser convidado à Cúpula da Terra em abril, em Washington. Este encontro climático, organizado por Biden, vai reunir chefes de estado e de governo de vários países. A Amazônia é crucial para o mundo alcançar as metas do Acordo de Paris.
Atenta, a Concertação da Amazônia, rede de lideranças de vários setores da sociedade brasileira, acompanha o Plano para a Amazônia, que foi entregue ao presidente Biden em janeiro e anunciado por Todd Stern, chefe dos negociadores americanos no Acordo de Paris. Os quatro pilares do Plano são: financiamento, comércio, cadeias de fornecimento e diplomacia. Com o Plano, Biden pretende mobilizar US$ 20 bilhões para estancar o desmatamento. É um começo.
Um sinal claro que o governo Biden reconhece a importância planetária da Amazônia. E entende que o Brasil é uma potência para utilização climática e econômica da natureza. Vem daí a lanterna para o Brasil tornar-se um dos líderes do “Green New Deal”, do agronegócio e da energia renovável. Em conjuntura de aumento da liquidez mundial e recuperação da China e dos Estados Unidos.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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