Iniciamos 2021 sem bússola política, mas com três eventos marcantes. Primeiro, o início da vacinação no Brasil. Segundo, a posse de Joe Biden. Terceiro, as eleições das mesas da Câmara Federal e do Senado. Para nós, capixabas, ainda serão relevantes a eleição da mesa da Assembleia Legislativa e a anunciada ampliação da base aliada do governo Casagrande.
Tudo isto nos lembra o espetáculo teatral de Paulo Pontes em 1969: "Brasileiro, profissão esperança". Naquele contexto, decretado o AI-5, ele trazia a esperança como tema, quando a repressão e a censura tornaram-se muito fortes. Aí, na atmosfera da época, ele retrata os ciclos de esperança e desesperança do povo brasileiro, dos anos dourados aos anos de chumbo.
Pois bem. São estes ciclos de esperança, cansaço, desesperança, esperança de novo (a marcha de uma Nação), que estamos vivendo no turbilhão da pandemia. Agora, sabemos que somos apenas o 51º país a iniciar a vacinação e que seremos vacinados a conta-gotas até 2022. Mesmo assim, sob a espada da incúria federal, tendemos a reassumir a nossa profissão: esperança. Ela está até acordando o país e a sociedade para lutar pela substituição do atual governo nacional e/ou pela eleição de um governo melhor em 2022.
Já a posse de Joe Biden, mesmo com a fratura da sociedade americana e o que isto criará de dificuldades para o seu governo e a sua liderança, joga luz e esperança na possibilidade de retomada de agendas cruciais para a humanidade. Desde as mudanças climáticas às desigualdades sociais, passando pelas fraturas identitárias e pelos conflitos internacionais. Só em poder conter a escalada do populismo da pós-verdade, que se alastrou pelo mundo, a ascensão de Biden traz esperança para os brasileiros: “Yes, you can”.
Por sua vez, as renovações das mesas do Congresso podem levar à retomada de agendas que estão atrasadas e que são importantes para a retomada do crescimento e atenuação da pobreza e da miséria. São projetos que estão prontos e que precisam ser votados ao longo de 2021. Com Arthur Lira ou com Baleia Rossi. Com Rodrigo Pacheco ou com Simone Tebet. O Congresso é a caixa de ressonância da sociedade e a cara do Brasil. Quando ele recebe pressão da sociedade, das redes sociais e da mídia, ele vota. É ingenuidade achar que o presidente Bolsonaro vai “controlar” o Congresso. Ainda mais em queda de popularidade.
Por último, aqui no Espírito Santo, as eleições na Ales e a ampliação da base aliada do governo Casagrande poderão criar mais capacidade política para a condução, sob a liderança do governador, da transição política regional. Com mais capacidade política, será mais factível a construção de uma agenda de desenvolvimento com pactuação democrática e capacidade de execução. Incensar a esperança.