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Política

Com extremos em xeque, Brasil caminha para o centro político

A mediana eleitoral registra a ascensão da opção por moderação e o declínio da opção pela polarização, o que produz efeitos políticos para 2022

Públicado em 

28 nov 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Fachada do Congresso Nacional durante amanhecer em Brasília
Fachada do Congresso Nacional durante amanhecer em Brasília Crédito: Pedro França/Agência Senado
Nas eleições municipais, duas tendências gerais estão colocadas. A primeira é a trilha para o caminho do centro do espectro político. A segunda é a diminuição do número de partidos nas câmaras de vereadores, com o fim das coligações.
A mediana eleitoral registra a ascensão da opção por moderação e o declínio da opção pela polarização entre os extremos. Assim, o pêndulo político brasileiro volta a configurar a teoria da centralidade eleitoral de Anthony Downs. Observando o comportamento eleitoral nas democracias, ele constatou que a distribuição das preferências conforma uma curva em forma de sino. Há uma convergência para a mediana central da curva e, portanto, a opção pela moderação e pela estabilidade políticas. Os extremos ficam nas bordas do sino. A tendência dos partidos políticos é a adoção de posições centristas.
Essa configuração produz efeitos políticos para 2022. A hegemonia dos extremos foi colocada em xeque e surgiu um equilíbrio entre as forças distribuídas pelo centro político — da centro-direita à centro-esquerda. Esta “crise de hegemonia” equalizou o tamanho das forças políticas. Isto complica os arranjos e as alianças políticas, mas ao mesmo tempo induz as forças centrais a um modelo de formação de frente ampla. Um estímulo ao diálogo.
O DEM, o PP, o PSD e o Republicanos cresceram muito. O MDB e o PSDB diminuíram de tamanho, mas continuam grandes e com capilaridade. E agora emerge das urnas uma esquerda menor e mais equilibrada e fragmentada. O primeiro teste será o das eleições para as mesas da Câmara federal e do Senado. Como essa correlação de forças que emerge das urnas vai influenciar as alianças para as mesas?
Quanto às câmaras de vereadores, o fim das coligações já resultou na diminuição do número de partidos. Em 2016, as câmaras com até cinco partidos representavam 30,1% do total. Agora, elas são 68,7% do total. As que têm até três legendas passaram a ser 28,2% do total. É cabal o efeito da diminuição da fragmentação. Excelente notícia para o sistema político brasileiro.
Agora, os “partidos de aluguel” estão com os dias contados. Também não teremos mais o “efeito Tiririca”, situação em que alguém popular de um partido forte acabava elegendo outros candidatos de partidos de aluguel que tomavam carona na coligação. A representatividade do sistema eleitoral melhora muito.
Conjugada com o instituto da cláusula de barreira, o fim das coligações também terá efeitos positivos nas eleições de 2022. Vai diminuir a fragmentação partidária nas assembleias legislativas e na Câmara federal. O sistema político brasileiro vai adquirir maior capacidade de governança, governabilidade e estabilidade.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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