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Eleições

Conjecturas para 2022 segundo o tabuleiro político de 2020

Pleito municipal deste ano está povoado de pretendentes ao Palácio Anchieta em 2022. Os atores estão no palco ou na coxia

Públicado em 

07 nov 2020 às 04:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado ES
Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado ES Crédito: Carlos Alberto Silva
Renato CasagrandeAudifax BarcelosGuerino ZanonMax Filho e Amaro Neto. Conjecturas. A carruagem das eleições municipais povoou o tabuleiro político de pretendentes ao Palácio Anchieta em 2022. Os atores estão no palco ou na coxia. O governador mira a reeleição. Os outros querem que a fila ande. A disputa do poder político no Espírito Santo está posta.
Em Linhares, Guerino Zanon (MDB) formou a chapa para prefeito sinalizando que pode sair em 2022 para disputar a governadoria. Pode conquistar o seu quinto mandato em Linhares com o olho no Palácio Anchieta. Reeleito, sairá fortalecido para recolocar o MDB no jogo estadual. Foi cogitado para 2022 por Lelo Coimbra (MDB) e tem histórico de boa relação com o ex-governador Paulo Hartung.
Em Vila Velha, Max Filho (PSDB) também formou chapa para poder sair no meio do mandato, caso seja reeleito. Disputa uma corrida com Neucimar Fraga (PSD) — que vai ser decidida no “fotochart” —, para conquistar o seu quarto mandato. Ganhando, sai fortalecido. Mas perdendo, também emite sinais de que vai disputar em 2022. Não quer mais perder o “timing” da disputa da governadoria.
Na Serra, Audifax Barcelos (Rede) trabalha para levar a disputa pela prefeitura para um improvável segundo turno. Se o seu candidato for para o segundo turno, pode fazer a candidatura “pole position” de Sergio Vidigal (PDT) morrer na praia. Se Vidigal ganhar já no primeiro turno, Audifax perde a hegemonia no seu reduto, mas segue para a disputa em 2022 com cacife político. O mercado especula que ele poderá ter o apoio de Paulo Hartung. Já uma vitória de Vidigal fortalece Casagrande para 2022.
Em Vitória, está a novidade, até agora, destas eleições. Lorenzo Pazolini (Republicanos) tem boas chances de ir para o segundo turno. Está mostrando que não é apenas uma bolha política. Seu crescimento alavanca o projeto do Republicanos de tornar-se fiel da balança na política estadual. É aí que entra Amaro Neto (Republicanos). Amaro é, politicamente, um lobo solitário — que pode virar um fio desencapado. Pode atravessar no caminho de Casagrande, com uma candidatura a governador. Ou no caminho de Paulo Hartung, com uma eventual candidatura a senador.
Em Vitória, João Coser (PT) é outra novidade. A demanda do eleitor por experiência o colocou no páreo. Se for para o segundo turno, tira o PT da UTI na capital. Se ganhar as eleições, constrói uma cidadela para recolocar o PT no jogo de poder estadual.
Neste tabuleiro, o governador Renato Casagrande sai na frente para uma reeleição. Mas está diante de um cenário de disputa que pode forçar um segundo turno em 2022. Em ambiente estadual de transição de poder ele se movimenta com a taça e a caneta da conquista da governadoria nas mãos — mas não com a conquista do poder. Poder. Este é o nome do jogo neste xadrez em formação antecipada. São as nuvens políticas de hoje.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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