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Política

Perto do Natal, eleições no ES terão um amigo oculto

Além da disputa pelas prefeituras e câmaras, corrida deste ano inclui também a briga pela liderança da transição de poder, de olho na Mesa da Assembleia e no Palácio Anchieta

Públicado em 

24 out 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Urna eletrônica
Disputa requer o acúmulo de vereadores e prefeitos pelas forças que estão no tabuleiro Crédito: Roberto Jayme/Ascom/TSE
Perto do Natal, o amigo oculto nas eleições municipais do Espírito Santo é a disputa pela liderança da transição de poder político. Até o final de novembro, serão contados os votos e avaliados os cacifes políticos. Em fevereiro de 2021, a disputa vai mirar as eleições da Mesa da Assembleia. Depois, vai desembocar nas eleições de 2022. Essa transição ainda deve ir até 2026.
O governador Renato Casagrande (PSB) larga na frente. É poder incumbente, com ampla base partidária. Mas larga, também, porque tem boa aprovação popular, reforçada pelo seu desempenho recente na gestão da pandemia: a tempestade perfeita desse ano de 2020, que ainda vai render sequelas. Assim como foi 1968, na feliz metáfora de Zuenir Ventura, 2020 será lembrado como “o ano que não terminou”.
Essa disputa requer o acúmulo de vereadores e prefeitos pelas forças que estão no tabuleiro. Mas dois municípios são as joias da coroa. Vitória é celeiro de futuros governadores. Uma (não improvável) ida de Lorenzo Pazolini (Republicanos) para o segundo turno vai mexer com o tabuleiro. E a Serra é o maior colégio eleitoral e o terreiro da força de Audifax Barcelos (Rede), pré-candidato a governador em 2022. Lá, uma eventual vitória de Sérgio Vidigal (PDT) pode fortalecer o projeto de reeleição do governador Casagrande.
Na Serra, a saída de Amaro Neto (Republicanos) da disputa o torna um fio desencapado. Ele mostra apetite para 2022. Se for para governador, poderá enfrentar Casagrande. Se for para senador, onde só uma vaga será disputada, poderá ser uma pedra no caminho do ex-governador Paulo Hartung — que está posicionado no debate nacional, mas é um animal político de pedigree diferenciado e mantém um olho no peixe, outro no gato. Conserva força.
Há sinais de crescimento do Republicanos. Pode ganhar musculatura em vários municípios. E alavancar a força eleitoral de Pazolini, ganhando status de fiel da balança no tabuleiro da transição. Alguns observadores experientes enxergam em Pazolini potencial para ser mais do que uma bolha política. A conferir.
Já os bolsonaristas — representados por Carlos Manato e pelos policiais na disputa —, até agora não se beneficiaram da tão esperada polarização. São bolsonaristas, mas não se enxerga bolsonarismo orgânico por aqui. O que é visível é o pragmatismo dos eleitores (eleições pão com manteiga). E também muita alienação eleitoral. A disputa pela liderança da transição de poder vai enfrentar volatilidades. Com o governador na “pole position”.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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