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Eleições 2020

Incapacidade de se reinventar marca atuais campanhas políticas

Propostas mais uma vez estão perdendo a relevância para os discursos agressivos. Vídeos estão sendo usados para minimizar tudo e todos e grupos online estão estruturados para difamar

Publicado em 22 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 out 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira Vinicius Figueira
Filiados a partidos políticos
Há um vazio enorme de lideranças para cuidar do povo Crédito: Shutterstock
Aos poucos, as campanhas políticas vão ganhando forma em nossos municípios e, sobretudo, nas grandes cidades. Aos poucos vamos vendo, com o discorrer da jornada, a incapacidade e dificuldade de ajustar uma campanha a tempos de pandemia, a necessidade absurda de difamar, denegrir, e o discurso do novo e de mudança sendo propagando numa via contrária ao de continuidade. Aos poucos vamos vendo mais uma eleição ganhando narrativa de plano de governo e não de projeto de município. Aos poucos vamos vendo muito mais interessados em deixar uma marca do que dar continuidade a uma história.
Caminhadas, passeatas, corpo a corpo, abraços, continuam sendo a forma mais forte de fazer política, ainda que em tempos de pandemia. Usar máscara não está sendo regra, está sendo um pedido, e em paralelo com o descuido nasce o famoso jargão: estamos aqui para cuidar de vocês. Pode um candidato descuidado ter condições de cuidar? A fraqueza e a incapacidade de se reinventar estão sendo as marcas dessa campanha em tempos de coronavírus. Por hora, isso tudo evoca uma mensagem: jaz entre nós um vazio enorme de lideranças para cuidar do povo.
Esse vazio é tão significativo que as propostas mais um vez estão perdendo a relevância para os discursos vexatórios, agressores e difamatórios. Vídeos estão sendo usados para minimizar tudo e todos, grupos online estão estruturados para difamar, sem contar a milícias de mensageiros que estão instaladas para destruir o outro com mentiras e horrores. Podemos medir o vazio pelo barulho ou pelo eco das imoralidades. Não sei se você que está lendo esse artigo já ouviu a frase: “carroça vazia, só faz barulho”. Então, se há propostas robustas, sólidas numa rota política, os barulhos não fazem sentido, porque a carga tem peso.
Portanto, ao olhar para o cenário, veremos o quanto estamos longe de fazer política como “gente grande”. Continuamos tendo analfabetos políticos e líderes políticos “analfabetos” querendo ser mestres de um povo. Precisamos ligar o alerta da consciência crítica e apurarmos os cinco sentidos humanos. Cuidado com o que vemos, sentimos, ouvimos, tocamos e saboreamos nesse universo político. É tempo de atenção.
Urge a necessidade de usarmos a lente da prudência, da sensatez. Nelson Rodrigues já chegou a dizer: “muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. Candidatos com discurso de ofensas imorais ou ainda discursos capazes de diminuir um ou outro não têm condições de liderar um povo. Reconhecer as limitações do seu lugar, enxergar que precisar fazer mais, ter consciência que plano de governo não é promessa faraônica, isso é política de gente grande.
Falar desse tipo de política é preciso. Aliás, muita “gente grande” segue fazendo papel de gente pequena, de pessoa com valores pequenos... enquanto isso, não nos cansemos de acreditar que tudo é possível aos que sonham e que uma nova propaganda política também é possível.

Vinicius Figueira

Vinicius Figueira Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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