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Letícia Gonçalves

Desembargadora do ES investigada por mensagens em grupo de WhatsApp é barrada da presidência do TRT

Marise Chamberlain responde a processo disciplinar por atacar colegas e autoridades

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 12:00

Públicado em 

15 mai 2026 às 12:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Data: 17/02/2020 - ES - Vitória - Sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) - Editoria: Politica - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Enseada do Suá, Vitória Ricardo Medeiros


A desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES), está proibida de exercer a presidência da Corte ou qualquer outro cargo de direção, exceto a vice-presidência.

A vedação foi imposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no âmbito de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e vale até que o PAD seja julgado.

Chamberlain é alvo de investigação no Conselho por suposta má conduta e falta de urbanidade ao publicar mensagens agressivas com viés político-partidário em um grupo de WhatsApp integrado por outros magistrados da Justiça do Trabalho.

A desembargadora chamou um colega de "gentalha" e avisou: "Quando eu for presidente do Tribunal, menina, a direita já tratorou a esquerda toda".

Ela também fez críticas e ironizou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a conclusão do PAD, Chamberlain pode sofrer alguma sanção ou ser absolvida.

Por enquanto, o conselheiro relator, Rodrigo Badaró, deferiu apenas esta medida cautelar. 

"Para impedir a magistrada processada de assumir, exercer, ser indicada, nomeada ou designada ou inscrever-se, concorrer e/ou ser votada para quaisquer funções de gestão e/ou direção no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, em caráter definitivo ou provisório, ainda que ad hoc, em especial a Presidência e Corregedoria, enquanto não for julgado o presente Processo Administrativo Disciplinar, inclusive para exercício em caráter temporário ou interino em caso de ausência e/ou afastamento do(a) titular a qualquer título", diz a decisão.

A desembargadora está, ou estava, no páreo para ser eleita presidente do TRT da 17ª Região, pleito que deve ser realizado em outubro.

O conselheiro justificou a proibição "não pela gravidade presumida dos fatos ou por uma infração genérica ao dever de cortesia (...) mas pela necessidade objetiva de assegurar o resultado útil do processo e a confiança pública na magistratura enquanto perdurar a apuração".

A Corregedoria Nacional de Justiça pediu o afastamento da magistrada de todas as funções, mas o relator do PAD optou por mantê-la no exercício da jurisdição. Ela vai continuar a julgar processos e a votar nas sessões do TRT, por exemplo.

Também está mantida na vice-presidência, cargo que assumiu antes do início do processo administrativo, "sem prejuízo de eventual reanálise da medida se identificada a prática de ato que possa embaraçar a apuração administrativo-disciplinar em curso".

Aliás, Badaró ressaltou, na decisão, que "caso venham a emergir elementos concretos indicativos de participação da magistrada em campanha difamatória dirigida contra o Poder Judiciário e contra este Conselho, a resposta institucional haverá de ser particularmente severa".


Mensagem desembargadora Marise CHAMBERLAIN
Mensagens enviadas ao grupo Amatra-17 Reprodução
Mensagem desembargadora Marise CHAMBERLAIN
Mensagem enviada pela desembargadora ao grupo Amatra-17 Reprodução
O QUE DIZ A DEFESA

A coluna entrou em contato, nesta sexta-feira (15), com o escritório que faz a defesa da desembargadora no CNJ e ainda não obteve retorno.

No dia em que o Conselho decidiu abrir o PAD, o advogado Flávio Pancieri, em sustentação oral, rebateu as acusações e afirmou que o objetivo do PAD é justamente impedir que Chamberlain assuma a presidência do TRT-17.

Magistrados que foram atacados pela desembargadora no grupo de WhatsApp acionaram o CNJ, o que deu origem ao PAD.

A defesa sustentou que o Conselho está sendo utilizado como uma ferramenta de "vingança correicional", fruto de disputas internas no tribunal, e que a denúncia é baseada em "falácias".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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