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Política

O que as campanhas eleitorais deste ano têm a nos dizer?

Passam os anos, mas as campanhas que prometem o novo não mudam. A primeira triagem para uma política diferente não deve começar a partir de janeiro, mas na forma de fazer política, que começa desde agora

Públicado em 

01 out 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Marketing nas redes sociais
Marketing precisa se atualizar na forma de "vender" os políticos e nos canais de divulgação, como redes sociais Crédito: Pixabay
No último domingo (27) iniciou-se a campanha eleitoral. Candidatos e candidatas às Câmaras Municipais e prefeituras de todo o país entraram em campo para “apresentar ideias e projetos políticos”, pleiteando votos para possivelmente chegarem às cadeiras do Executivo e do Legislativo municipais. Mas, até lá, a ordem é fazer campanha. Assim, convido você a pensar: o que há de novo em nossas campanhas?
É fato que o marketing é uma ferramenta super eficaz dos candidatos. Mas se pararmos para pensar, até mesmo aí na sua cidade o formato de divulgação não muda. Rolando o feed pra baixo e pra cima, avançando stories, além de nos surpreendermos com candidaturas de pessoas despreparadas, vemos com frequência palavras como "mudar", "seguir em frente", "avançar", "ser mais", "sonho", "futuro" e etc. Detalhe: fiz questão de vasculhar, antes mesmo de escrever este artigo, em vários outros lugares, e as palavras citadas são mesmo relevantes.
Já votamos há bastante tempo, e você consegue se lembrar de alguma campanha em que essas palavras não tenham aparecido? Passam-se anos e anos e as campanhas são sempre as mesmas, embora a narrativa delas seja sempre rejuntada para “fazer o novo acontecer”. A pergunta que fica é: é possível fazer o novo repetindo o que existe há tanto tempo? Não seria contraditório? Não sei o que você pensa a esse respeito, mas o que parece é que o novo exige certa criatividade, mas parece que no cenário eleitoral atual ela tem andado desaparecida junto às lideranças.
É preciso ter uma crítica aguçada e uma consciência madura para refletir, discernir e permitir se incomodar com algumas coisas. Isso nos faz identificar a hipocrisia ou as contradições dos discursos rotulados por um marketing que não faz mais sentido. A política precisa renovar sim a forma de fazer política e, além disso, precisamos não só de perfis de líderes, mas perfis criativos, ousados, para começar a fazer diferente desde a campanha, para que a oratória do novo faça sentido e tenha autoridade.
Se formos ainda mais críticos, veremos que em torno da campanha política há sempre as mesmas palavras, os mesmos formatos e as mesmas peças travestidas de outras siglas partidárias, representam ou adiantam aquilo que tende a ser o futuro anunciado com voz de ser diferente. Traduzindo: tudo igual a sempre.
A mudança não deve começar a partir do dia primeiro de janeiro. As realizações, o avançar e o ser mais precisam começar agora, na forma de fazer política. Todos dizem estar na política para fazer pelo outro, pelo município, mas não vemos nada em campanha que realmente represente esse verbo. Todos dizem ser humildes, simples, mas não se atrevem a usar “uma bacia de lava pés” no seu santinho. Muitos dizem existir para servir o povo, mas poucos se atrevem a usar um avental na sua estratégia de campanha.
A primeira triagem para uma política diferente não deve começar a partir de janeiro, mas na forma de fazer política, que começa desde agora.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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