A frase que intitula este artigo nasce dos lábios do Boni, ex-diretor geral da TV Globo no programa de televisão “Roda Viva”, da última segunda-feira (14). Nele, Boni se encarregou de dar uma aula sobre televisão a partir da sua experiência à frente de uma das maiores emissoras de TV do país. Na pauta dos entrevistadores, uma série de temas que atravessam o cotidiano da comunicação na televisão: a liberdade de expressão, diversidade, polarização...
Maria Adelaide Amaral, escritora e entrevistadora da noite, chegou a dizer: "O mundo está mais careta e mais chato em todos os sentidos. Essa coisa de todo mundo interferir na vida de todo mundo, dizer com quem você tem que andar, como tem que se comportar, muito chato. Me desculpa", declarou ela. Diante do desabafo da colega, Boni respondeu: "A forma mais odiosa de censura que eu conheço é o politicamente correto". Aqui, Boni pontua a liberdade versus diversidade e os padrões que foram estabelecidos para tal.
Por outro lado, a política criou um problema no jornalismo em tempos de declínio da verdade. Não há mais um terreno comum onde seja possível debater, isso é fato. Todavia, Boni realça que há muitas opiniões sendo repetidas. O que deve haver é uma diversidade de pauta, abrir o jornalismo para tudo, precisamos dinamizar o jornalismo e aumentar o volume de informações. “A falta de pluralidade está acentuando a polarização”, grifou o Boni.
Por um lado, temos um ataque à democracia, que significa governo em que o povo exerce a soberania. O povo soberano pensa diferente, tem costumes diferentes, diversas formas de se relacionar e tudo mais, mas nem sempre isso aparece em pauta. Por outro lado, temos um engessamento dos assuntos e da narrativa, um padrão de matéria que não corrobora para uma diversidade de opiniões, mas um monopólio de assuntos.
O que Boni propõe como reflexão é ao mesmo tempo sugestão para o jornalismo em si, serve para a comunicação e até mesmo parece explicar a migração de tantas pessoas para o mundo da internet, da pluralidade de fatos que rendem até fakes news e assim por diante. Há muitas notícias e informações falsas, sempre ou quase sempre camufladas de verdades, que iludem e se portam como o outro lado ou a verdade sobre determinados fatos. Assim, vejamos: as fakes news representam um ataque à democracia.
Urge, nesse contexto, a necessidade de se fazer comunicação diferente em um tempo diferente. A entrevista do senhor de 85 anos parece funcionar como um refrigério ou até mesmo mudança de rotas de muitos jovens comunicadores que se encontram à frente de tantos meios e emissoras nesse momento em que o jornalismo tende a existir para provar a verdade contra fakes news.
Se a democracia está sendo ameaçada, o jornalismo também está. É tempo de pluralizar a pauta para despolarizar os campos de opiniões e a sociedade. A força da verdade não está na repetição dos fatos, mas na propagação da sua diversidade. A democracia tem vários rostos e uma única verdade. É isso que o jornal precisa mostrar!