Que estamos vivendo um momento inusitado, não temos dúvida. A pandemia está sendo um momento de muitas transformações. Vejo esse momento como uma reconfiguração do mundo e, quando dele sairmos, seremos exigidos a sermos diferentes. O fato começa pela televisão. Isso mesmo.
Me recordo quando, na cadeira da faculdade, eu era daqueles que defendia que a televisão não iria acabar. Ela cumpria com uma força genial, inclusive na propaganda, universo que estou imerso. Porém, me parece que se ela não “entrar na onda”, corre sério risco de entrar em extinção na casa de muitas pessoas. Ela não é mais a soberana.
Digo isso porque estamos vivendo o momento das lives, em que os confinados estão hiperligados e assim será doravante. O YouTube soube muito bem usar isso, colocando em cheque muitos veículos. São mais de 5 milhões ligados num mesmo momento. Detalhe: a propaganda do “Fique em casa comigo” não imperou nos canais de TV, mas em redes sociais. São lives de tudo e de todos.
São os novos “programas ao vivo”, quando sentávamos para assistir na sala de casa. Hoje, todos somos canal e podemos ter um. A TV não fica mais na sala, mas na palma da nossa mão. A TV não é mais o programa de televisão, mas literalmente uma tela que, hoje, se conecta à internet e nos coloca diante de um universo de coisas e de conteúdos por vezes mais interessantes do que os formatos de programas de TV tradicionais.
O site Meio Mensagem veiculou na última terça-feira (14) que a TV Globo vai levar para suas plataformas (TV aberta, TV paga e Globoplay) o "One World: Together at Home", que acontece no próximo sábado (18), e reunirá diversos nomes da música e da cultura pop internacional – cada em suas casas – em apresentações que visam estimular as pessoas de todo o planeta a respeitarem as regras de isolamento social.
Me chama a atenção que há cinco anos, quando eu ainda estava sentado na cadeira da faculdade, estudávamos que a TV mudava comportamentos humanos, detinha influência e força. Hoje, ela precisa se inclinar diante de forças maiores para tentar trafegar visualizações e audiência para seus canais. A força é, de fato, da internet.
"A pandemia junto ao isolamento social apressou o objetivo da internet e evidenciou a sua força. Muitas marca migraram para as lives. A realidade e informalidade são as etiquetas desse momento"
A pandemia junto ao isolamento social apressou o objetivo da internet e evidenciou a sua força. Muitas marca migraram para as lives. A realidade e informalidade são as etiquetas desse momento. Não há mais necessidade de cenários iluminados, basta uma casa desarrumada, basta um quintal. A internet desnuda a cenografia e exige mais realidade. As transmissões deixam de ter roteiros e vocabulários formatados; o que manda é a cabeça, o sentimento, o que o público deseja, de fato. Bem-vindos à nova era.
Literalmente, se a TV não se reinventar, morrerá. O vírus não apenas nos isolou, mas forçou mutações incríveis. Quem viver, verá!