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Muita “ideologia” e pouco governo. É isso que vive o Brasil

Temos um impasse no país. Não existe política livre. Não existe ideologia livre. Aliás, são tantas ideologias que amarram o progresso do Brasil, que essas não prestam com a missão de servir

Publicado em 09/07/2020 às 05h00
Atualizado em 09/07/2020 às 05h00
Presidente da República, Jair Bolsonaro, em entrevista no Palácio do Planalto
Presidente da República, Jair Bolsonaro, em entrevista no Palácio do Planalto. Crédito: Isac Nóbrega/PR

Se formos buscar os fundamentos, a palavra ideologia tem vários significados, um mais clássico, outro mais crítico. Poderíamos, ao espremer as pesquisas, dizer que ideologia é um simples conjunto de ideias ou uma idealização sobre algo. Porém, no Brasil, ideologia ganha mais uma definição, agora a política, e poderia ser dita como “ala”.

Isso mesmo, ideologia deixa de ser conjunto de ideias para ser “ala”. Ala, nesse contexto, configura um limite de pessoas, um grupo, um conjunto. E já que temos um governo militar, uma tropa mesmo. Aqui, percebemos que, no fundo, não são as ideias que guiam um governo, mas uma ala que prefere se chamar de ideológica. Me parece mais uma ofensa misturar ideologia com uma ala que, na verdade, vejo como interesseira.

A “ideologia” que sufoca Bolsonaro, sufocou Lula, sufocou a Dilma, o Temer, e até hoje sufocou um pouco de cada governo. Lula, num determinado momento, perdeu a governança porque havia grupos de interesses; Dilma também; e agora Bolsonaro, que vendeu no palanque um discurso de um governo livre, livre para fazer e desfazer, mas não é bem isso que parece. Só na última semana, dois nomes escolhidos pelo presidente para titular o Ministério da Educação caíram antes de serem empossados. Mas por quê? Por que a “ala ideológica” pressionou. Então, quem governa?

Aqui temos um impasse. Fatos como esse mostram que não existe governo livre. Não existe política livre. Não existe ideologia livre. Aliás, são tantas ideologias que amarram o progresso do Brasil, que essas não prestam com a missão de servir.

O pensador e escritor Leandro Konder chega a dizer, numa entrevista à Teias, que ele procura se concentrar na questão da ideologia como tal, usando o sentido que Marx deu a ela, porque ele está interessado em saber como a gente pode estimular um movimento que busca se tornar mais crítico. E para isso precisa se tornar também mais autocrítico na construção do conhecimento. “A ideologia é uma questão que ajuda nesse sentido, e ajuda atrapalhando”, faz questão de grifar.

Ideologia que ajuda e ideologia que atrapalha. Talvez seja esse o discernimento que o Brasil e os brasileiros precisam fazer. Nem digo o governo, mas nós mesmos, a população. Já ficou claro que a política de cor e de ideologia demais não serviu e não está servindo. Os movimentos sociais que usaram verde e amarelo nas ruas mostraram que nem todos eram brasileiros sedentos de políticas livres, porque houve uma parcela significativa de infiltrados movidos pela força antidemocrática.

Não tá fácil! Como superar? Parece que ideologia demais e extremismo demais, além de ter tudo a ver, não resolveram e não irão resolver o Brasil. Então precisamos de um centro? Me valho nessas horas da máxima (se preferir pode chamar de ideologia, mas prefiro o próximo termo): “ficar em cima do muro”. Mas por quê?

Ficar em cima do muro tem sido uma expressão usada para descrever os indecisos, mas vejo o contrário, pois de cima do muro se vê o lado direito, o lado esquerdo e o horizonte. Talvez esse seja o melhor lugar para discernir e decidir um país com tanta ideologia a ser suprimida.

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