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Criando conflitos

Quem é o presidente infectado pelo vírus da histeria?

“O desgoverno” que insiste na pauta da histeria é alguém vazio de liderança. Pior do que estar infectado pela covid-19 é estar infectado pela soberba. Usar de rede nacional para vomitar suas neuroses em tempo de pandemia é uma afronta ao povo

Públicado em 

26 mar 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Presidente da República Jair Bolsonaro participa de videoconferência sobre o combate ao coronavírus com governadores do Sudeste
Presidente da República Jair Bolsonaro participa de videoconferência sobre o combate ao coronavírus com governadores do Sudeste Crédito: Marcos Corrêa/PR
Se você é daqueles que está plenamente conectado nas falas de Jair Bolsonaro, pode notar que a palavra histeria o acompanha em quase todos os seus discursos. Mas o que é histeria? Vamos ao dicionário?
Em suma, histeria significa “um comportamento caracterizado por excessiva emotividade ou por um terror pânico”. Quando buscamos a psicanálise, ela vai dizer é um tipo de neurose que se caracteriza predominantemente pela transformação da ansiedade subjacente para um estado físico. Já para a medicina, histeria é uma doença nervosa que, supostamente, se originava no útero, caracterizada por convulsões.
A palavra histeria vem do termo grego “hystéra”, que significa útero. A própria palavra nos revela o caráter feminino da doença, já que era atribuída a uma disfunção uterina. Sigmund Freud (1856-1939) começou a pesquisar e analisar os mecanismos psíquicos da histeria, chegando à conclusão de que os distúrbios poderiam abranger os sentidos da visão, audição, paladar e olfato e variar de desde levianas sensações até a anestesia total e fortes dores agudas. Será que o presidente sabe do que está falando? É isso que motiva a reflexão desse artigo.
O que o mundo vive parece ir muito além de todas essas definições. Vivemos um tempo forte, que fixará marcas indeléveis na história, nas pessoas, nas famílias. O coronavírus é muito mais do que algo que está na nossa cabeça, ou fora colocado nelas, é um vírus que nos circunda de fato, gera população de mortos, uma sociedade com sintomas físicos e uma impotência acirrada em todos os sentidos. É uma guerra de vírus.
“O desgoverno” que insiste na pauta da histeria é alguém vazio de liderança e muito preocupado em golpear a imprensa (por que incomoda tanto a ele?), os governadores, prefeitos, e muitos profissionais conceituados da saúde. A opinião dele é o tudo. E isso basta. Quem não o segue se torna seu inimigo. Mais uma guerra!
Me parece que a histeria que reage nas atitudes do presidente não é a do coronavírus, afinal, ele já fez vários testes e testou negativo, mas a histeria da ideologia, da política insana, e do autopoder. Pior do que estar infectado pela covid-19 é estar infectado pela soberba. Usar de rede nacional para vomitar suas neuroses em tempo de pandemia é uma afronta ao povo brasileiro.
seu pronunciamento na TV foi um puro retrato do seu autoritarismo, que, por sinal, se incomoda com quem “julga”, por isso ele precisa atacar tanto os líderes de opinião, aos jornais, a mídia. Não discordo da lógica do “precisa ser questionado”, inclusive, sinta-se livre para questionar e criticar até mesmo esse editorial.
O governo Bolsonaro cada vez que passa mostra ser um governo de “cabo de guerra”: um puxa pro um lado e outro puxa pro outro. Seu ministro da Saúde pede isolamento social; o governo diz que isso é histeria; os comércios precisam abrir, as escolas funcionarem. E o povo se pergunta: em quem acreditar?!
Nessas horas, como em muitas outras, precisamos ouvir quem fala com autoridade profissional. Mandetta estudou saúde, Bolsonaro não. Mandetta parece liderar uma situação que não tem nada de histeria; já Bolsonaro governa com seu próprio ego, que muito se preocupa em agradar os que o apoiam, repudiar os contrários, ainda que isso custe a vida de uma maioria, sobretudo, dos nosso idosos, das periferias, dos miseráveis.
Será que Freud poderá nos defender?

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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