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Bolsonaro vê atropelos em ações de Guedes no combate ao coronavírus

O presidente avaliou que o ministro se antecipou a ele na apresentação de medidas econômicas para enfrentar a doença, tirando o protagonismo do presidente

Publicado em 25/03/2020 às 14h10
Coletiva à Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado
Coletiva à Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado. Crédito: Marcos Correa

BRASÍLIA - A pandemia de coronavírus gerou novo ruído entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Paulo Guedes (Economia), o que aumentou seu desgaste junto ao Palácio do Planalto.

Na semana passada, o presidente avaliou que o ministro se antecipou a ele na apresentação de medidas econômicas para enfrentar a doença. Isso incomodou Bolsonaro no momento em que ele tentava ganhar protagonismo no enfrentamento à crise de saúde.

Nesta segunda-feira (23), uma MP (medida provisória) proposta pelo Ministério da Economia teve forte reação negativa na base bolsonarista. Foi necessário um recuo público.

Para ministros palacianos, no episódio mais recente, Bolsonaro confiou em Guedes para fazer um aceno ao setor produtivo. A ideia era enviar, em seguida, uma nova MP prevendo a compensação do governo.

A falta da contrapartida no texto inicial, no entanto, deixou a medida insegura e teve como resultado protestos no Poder Legislativo e críticas nas redes sociais.

Bolsonaro e o coronavírus

Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
Em discurso no dia 9/3, em Miami, Bolsonaro avaliou a reação à epidemia de coronavírus como "superdimensionada". Folhapress
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos. Folhapress
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
Michele Bolsonaro acompanha o presidente no evento. Folhapress
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
O presidente faz fotos com o público durante evento em Miami. Folhapress
Washington, DC - EUA 19/03/2019 - Presidente da República Jair Bolsonaro assina o livro de visitas da White House.  Foto: Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro, assinou um acordo de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, participou de jantar com Donald Trump e aproveitou a viagem para se reunir com empresários norte-americanos na Flórida. Alan Santos/Flickr
Flórida, 07/03/2020 - Presidente da República Jair Bolsonaro durante Jantar oferecido pelo Presidente dos Estados Unidos da América.
Presidente da República Jair Bolsonaro durante Jantar oferecido pelo Presidente dos Estados Unidos da América. . Alan Santos/Flickr
Flórida, 07/03/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro acompanhado do Senhor Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e do Vice-Presidente dos Estados Unidos Mike Pence.  Foto: Alan Santos/PR
Presidente da República Jair Bolsonaro acompanhado do Senhor Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e do Vice-Presidente dos Estados Unidos Mike Pence. Alan Santos/Flickr
Brasilia, Distrito Federal, 12/03/2020 - O presidente da Republica, Jair Bolsonaro, fez exame para o novo coronavirus apos o secretario de Comunicacao, Fabio Wajngarten testar positivo para a Covid-19.
O presidente fez o primeiro teste para detectar coronavírus no dia 12/03/2020, por um laboratório particular. Claudio Reis/Folhapress
Fabio Wajngarten, secretário especial de Comunicação Social (Secom) da Secretaria de Governo da Presidência
Ao voltar dos EUA, o primeiro integrante da comitiva a testar positivo para coronavírus foi o secretário Fabio Wajngarten. Marcelo Camargo/Agência Brasil
 13.03.2020 - CORONAV͍RUS-GOVERNO - O presidente Jair Bolsonaro usa máscara nas dependências do Palácio da Alvorada, em Brasí­lia, após teste dar negativo para o novo coronaví­rus.
 O presidente Jair Bolsonaro usa máscara nas dependências do Palácio da Alvorada, em Brasí­lia, após teste dar negativo para o novo coronaví­rus. . Mateus Bonomi/Agif/Folhapress
Presidente Bolsonaro anuncia em sua rede social que o teste de coronavírus teve resultado negativo
Na sexta (13/03), Bolsonaro anunciou em rede social que o teste tinha dado resultado negativo. Reprodução Twitter
Brazil's President Jair Bolsonaro gestures as he leave the Alvorada Palace aftercoronavirus reports in Brasilia, Brazil, March 13, 2020.
O Ministério da Saúde passou a recomendação para o exame ser refeito na próxima semana. Enquanto isso, a recomendação era para que Bolsonaro ficasse em "monitoramento". Adriano Machado/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
No dia 17 /3, Bolsonaro quebra a recomendação e participa de ato a favor do governo. Ele chegou a apertar a mão de apoiadores em frente ao Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro e ministros do governo, todos usando máscara de proteção no rosto, durante coletiva de imprensa para falar sobre a crise do Novo coronavÍrus, em Brasília, nesta quarta-feira (18). (Foto:)
Durante entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro e os Ministros aparecem de máscaras. Pedro Ladeira/Folhapress
Coletiva à Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado
Bolsonaro usou álcool em gel em alguns momentos da entrevista. Carolina Antunes
 O presidente Jair Bolsonaro acompanhado dos ministros de seu governo, durante coletiva de imprensa para falar a respeito dos novos dados sobre a crise gerada pelo novo coronaví­rus (Covid-19), em Brasí­lia (DF), nesta quarta-feira (18)
 O presidente começou falando com proteção. Em seguida, decidiu tirar a máscara para falar. Mateus Bonomi/Agif/Folhapress
Entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro e os Ministros apareceram de máscaras.
Questionado pelos jornalistas, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, explicou que o uso das máscaras era por conta das pessoas que tiveram contato com o General Heleno, que testou positivo. . Carolina Antunes/Flickr
Flórida - EUA, 08/03/2020 -  Presidente Jair Bolsonaro durante visita ao U.S. Southern Command.  Foto:
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus. Alan Santos/PR/Flickr
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.

No momento em que tem sofrido panelaços por conta de sua postura diante da pandemia, Bolsonaro tem trocado acusações com adversários políticos e se indisposto com sua equipe ministerial.

A perda de apoio, sobretudo nas redes sociais, alterou o humor do presidente, segundo auxiliares palacianos, e o levou a se irritar com decisões administrativas que até então não o incomodavam.

Na segunda-feira, Bolsonaro até ensaiou um arrefecimento do discurso, mas, na noite desta terça-feira (24), voltou a atacar governos estaduais na tentativa de municiar a militância digital em sua defesa.

Além de já ter discordado do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), que se tornou o porta-voz do combate à doença, o presidente também começou a demonstrar incomodo com o "posto Ipiranga".

Na semana passada, Bolsonaro reuniu nove ministros e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para discutir políticas de combate ao novo coronavírus.

No início da reunião, no entanto, dois auxiliares presidenciais não estavam disponíveis: Mandetta e Guedes.

O primeiro recebeu uma ligação da Presidência da República. Ele informou que estava em uma reunião no STF (Supremo Tribunal Federal) junto com a cúpula do Congresso Nacional. E, de acordo com relatos, foi cobrado por isso. O segundo era uma incógnita para o presidente.

Já na reunião, Bolsonaro perguntou sobre o ministro da Economia. Ele foi informado que Guedes estava em uma entrevista à imprensa apresentando medidas econômicas contra o coronavírus.

Naquele dia, Guedes anunciou um pacote que, com propostas que haviam sido divulgadas na semana anterior, significaria a injeção de R$ 147,3 bilhões na economia. Segundo relatos feitos à reportagem, a ausência de Guedes causou mal-estar.

A reunião no Palácio do Planalto havia sido convocada justamente para discutir a necessidade de maior articulação no anúncio de iniciativas.

A ideia era que as medidas de combate ao novo coronavírus passassem a ser informadas publicamente na presença do presidente, em esforço para rebater as críticas dos governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de que Bolsonaro não tem adotado postura de liderança no enfrentamento da doença.

A intenção do presidente era gerar pauta positiva diante de notícias negativas.Com o anúncio separado, a avaliação no Palácio do Planalto foi a de que o ministro atropelou Bolsonaro.

De acordo com assessores presidenciais, Bolsonaro cobrou Guedes quando ele chegou ao Palácio do Planalto. Mais uma vez, teria dito que ,se a economia degringolasse, a culpa seria do ministro.

Na última segunda-feira, o presidente teve um novo episódio de tensão com o ministro, que estimulou novos panelaços pelo país.

No fim de semana, o Ministério da Economia elaborou uma medida provisória que incluía a possibilidade de suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses.

Segundo assessores palacianos, antes de ser publicada no domingo (22), a iniciativa teve a chancela do presidente, que recebeu a avaliação da equipe econômica de que ela teria o apoio do setor produtivo.

No dia seguinte, no entanto, a repercussão geral foi negativa, com críticas de perfis de direita nas redes sociais. O repúdio da iniciativa até mesmo na base bolsonarista assustou o presidente.

Ele telefonou para Guedes e pediu a retificação. Segundo deputados bolsonaristas, em conversas reservadas, o presidente culpou a equipe econômica pelo episódio.

Para ele, a pasta deveria ter redigido um texto mais claro, com previsão de uma ajuda do governo aos trabalhadores durante os quatro meses, e avaliado com antecedência que a medida poderia ter reação negativa. O episódio levou integrantes do mercado financeiro a apostar em uma demissão do ministro.

Apesar de membros da equipe econômica reconhecerem que a relação entre ambos passa por dificuldades, Bolsonaro divulgou uma fotografia com Guedes na noite de terça-feira (24), negando qualquer conflito. Não é a primeira vez que Bolsonaro se indispõe com Guedes.

Em fevereiro, o ministro foi cobrado pelo presidente a entregar um crescimento de pelo menos 2% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

A pandemia, no entanto, tornou improvável que o país atinja o patamar. Na sexta-feira (20), o Ministério da Economia cortou a projeção oficial, de 2,10% para 0,02%.

No Poder Legislativo, líderes partidários avaliam que Bolsonaro demonstrou na atual crise agir com um excesso de personalismo e egocentrismo.

Eles dizem que o presidente não admite que a atuação de sua equipe ministerial se sobreponha à sua.

Em meio a uma nova crise, de acordo com deputados bolsonaristas, o presidente tem se sentido ainda mais pressionado a apresentar resultados.

Ele passou a ser cobrado por aliados políticos e por sua base eleitoral a mudar de conduta diante da crise do coronavírus, o que o levou a querer centralizar sobre si os principais anúncios.

Com essa postura, Bolsonaro tenta também se contrapor a Doria e a Witzel, seus eventuais adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Na tentativa de evitar que ambos obtenham dividendos eleitorais com a pandemia, Bolsonaro tem defendido que Mandetta evite posar ao lado de Doria e de Witzel.

Na semana retrasada, Bolsonaro se irritou ao ter visto imagens de Doria ao lado de Mandetta. Após o episódio, Doria elogiou Mandetta e afirmou que se arrependeu de ter votado em Bolsonaro.

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