
Paulo Brandão e Lucimara Rizzoli*
A complexidade da vida contemporânea se caracteriza pela ausência de um porto seguro que oriente as pessoas aonde ir. Períodos como este são chamados de transição, porque se revelam como complexos e de difícil definição.
É neste período que surge toda espécie de ideologias. Sobre isso o filósofo italiano Umberto Eco nos ajuda a entender o neofascismo, que entre suas principais características está o culto à tradição.
Eles acreditam que existe uma verdade primitiva, anunciada que todos devem ser fieis. São avessos à cultura e negam o avanço do saber. Desqualificam e depreciam os espaços do livre pensar. As universidades são consideradas como um ninho de comunistas. As escolas se tornam seus alvos preferidos. Filmar professores é uma das formas de impor a sua ideologia.
Toda notícia contrária é fake news. Depreciam as formas de pensar divergente. O espírito crítico sinal da modernidade, que se sustenta por meio da divergência de ideias e opiniões, é visto como traição a “verdade”. Iniciativas como “Escolas sem Partido”, que não aceitam o pensamento critico e a liberdade de expressão, são suas formas de atuar.
O novo fascista é racista e não aceita a diversidade. Os diferentes são considerados intrusos e tratados como criminosos. A divergência gera desacordo. Mas a ordem soberana deve prevalecer acima de todos.
A identidade social do fascista é o nacionalismo e na veneração ao hino e a bandeira. Os que não se identificam devem ser tratados como inimigos. A nação deve ser protegida, o que justifica a guerra como principio. A violência é aceita como regra. A paz é desencorajada e considerada coisa de gente fraca. O vencedor é o mais forte, preparado e bem armado.
O culto às armas é uma das suas principais características e simboliza o poder fálico do “macho”, frustrado em sua masculinidade. Ser herói é uma norma. A guerra é necessária e se justifica como obtenção do controle sobre as massas que são fracas e precisam de um mito dominador.
O machismo é com uma virtude que justifica a violência e o feminicídio. O fetiche do uso de armas é canalizado para as relações sexuais. E toda forma de relação humana fora do padrão do grupo se transforma em intolerância. Não há lugar para liberdade de opção sexual e de gênero. E como nenhuma ideologia pode existir, toda ideologia é vista como contrária. Calma! Trata-se da Itália. Isso não existe aqui.
*Os autores são, respectivamente, filósofo e sociológo; especialista em Educação e mestranda em Políticas Públicas