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Política

Neste 2020, vamos presenciar as eleições municipais da desesperança

O Brasil vai às urnas sem aquele clima de esperança e mobilização que nos acostumamos a ver e sentir desde as “Diretas, Já”. O quadro é de incertezas e fragmentação

Públicado em 

26 set 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Urna Eletrônica
Campanha eleitoral deste ano será sem o tradicional corpo a corpo Crédito: Nelson Jr./ASICS/TSE
Sem perspectiva de povo nas ruas, as eleições de novembro parecem eleições da desesperança. O Brasil vai às urnas sem aquele clima de esperança e mobilização que nos acostumamos a ver e sentir desde as “Diretas, Já” - e, depois, em todas as eleições que se sucederam de dois e dois anos nos últimos 35 anos.
A pandemia tira o povo das ruas e do tradicional corpo a corpo com os candidatos. Com ela, vêm os espectros do medo e da desesperança. Para piorar, a recessão, o aumento do desemprego e o fim do auxílio emergencial ampliam a desconfiança nos políticos para resolver aflições cotidianas do povo. Não adiantam promessas e platitudes. Vamos ter eleições do tipo “pão com manteiga”, e não do tipo “pão e circo”.
Desta vez, o povo estará procurando candidatos capazes de atender às suas demandas locais. Melhorar as condições de vida nos seus bairros e nas suas cidades. Mas, Brasil afora, a formação de candidaturas está na vibe da polarização de 2018 e das eleições de 2022. No meio do caminho – 2020 – tem uma pedra. A pedra das aflições locais.
Apesar do crescimento de candidaturas de corte bolsonarista, não se vislumbra a generalização da polarização de 2018. O PT perdeu terreno nas cidades. O clima não parece ser de disputas ideológicas nas maiores cidades. Nelas, deverá ser travada a batalha da capacidade de entregas. Já nas cidades menores, espera-se aumento do poder das fake news e do impacto das redes sociais. Nas maiores, a TV deverá voltar a ter papel importante. Serão campanhas apenas racionais? Claro que não. Afinal, eleições são portadoras de emoções. Mas tem que falar do pão com manteiga: dos problemas dos bairros e das cidades.
O quadro é de incertezas e fragmentação. Com tendência de alienação eleitoral, para decidir o voto no final. Quem conseguir ter menos rejeição, leva. São ironias da impossibilidade de voltar a explorar a bandeira da antipolítica. Essa bandeira ficou desmoralizada. Passou a ser vista como uma impostura, depois que o presidente Bolsonaro aliou-se ao Centrão e que os fundos eleitoral e partidário ganharam cifras inimagináveis. A “nova política” perdeu apelo.
Os candidatos enfrentarão ceticismo e alienação. Terão que tirar leite de pedra, diante de um eleitor cansado de promessas; da baixa credibilidade dos governantes; do alto desgaste dos políticos; e do efeito da pandemia no mau humor geral. Como o voto é obrigatório, bem no final os eleitores vão sintonizar. Prognósticos? Nem pensar! Virou tudo japonês.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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