Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Ambiente político polarizado

Aguardem, porque neste ano teremos outra eleição disruptiva

Há fadiga de material e carência de novas lideranças. As emoções e ansiedades da população geram esperança de mudança. Mas, no mundo real e racional, a capacidade de mudanças e entregas no plano local é pequena

Publicado em 13 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

13 jun 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Votação nas próximas eleições vai demonstrar capital político dos atuais prefeitos
Votação nas próximas eleições vai demonstrar capital político dos atuais prefeitos Crédito: Maria Adjuto/ Agência Brasil
Quem viveu a eleição disruptiva de 2018, espere a deste ano. Deverá ser mais disruptiva ainda. É assim que o mercado político vê as eleições municipais. No meio da pandemia, o povo ainda está emocionalmente a léguas de distância delas. Mas o calendário eleitoral leva o mercado político a focalizar as eleições e se preparar para as disputas. As dúvidas predominam.
A única certeza é que vai ser uma eleição diferente de tudo que já se viu, vaticina um observador político. Aqui no ES e no país. Teremos um ambiente político polarizado. Circunstâncias que impedirão que as eleições sejam só locais e paroquiais. E dificultarão as caminhadas de candidaturas com perfil de centro. No meio de uma tempestade perfeita que combina múltiplas crises que mexem com o imaginário social.
A melancolia, o medo e as incertezas da pandemia. As ameaças concretas da recessão prolongada, com o desemprego, a quebradeira das empresas, o endividamento e a fome batendo às portas da população. As atitudes de ódio político a semear desavenças e exacerbar conflitos que ampliam o tamanho do labirinto. Ao mesmo tempo, réstias de esperança e mudança voltam a impulsionar o povo para voltar às ruas e lutar pela democracia e pela igualdade social e racial.
Aí, veem as indagações. Os políticos vão conseguir transmitir esperança e apontar saídas e mudanças? Vai ser possível a comunicação com o povo e a sua mobilização? As eleições tanto poderão criar expectativas a serem frustradas ali na frente, dada à penúria fiscal dos municípios, quanto poderão ser a centelha para um despertar sobre a necessidade de reinvenção do contrato social.
Vai colaborar para a provável natureza disruptiva das eleições, mais do que em 2018, a imanência de um dilema Shakesperiano: nova política “versus” velha política. O que resultou das promessas de “nova política” de 2018? A demonização da política afasta os jovens e dificulta a renovação. E a criminalização da política “condena” os mais experientes por antecipação.
Como se poderá criar uma comunicação verossímil com o povo, com as prefeituras quebradas? O povo anseia por mudanças, mas corre-se o grande risco de frustrar expectativas, pela baixa capacidade de entregas das prefeituras. Neste caso, de poucas entregas, as eleições poderão ter mais efeito de gerar a centelha da mudança do que propriamente de melhoria dos serviços locais.
A esta altura, está tudo muito aberto. Há fadiga de material e carência de novas lideranças. As emoções e ansiedades da população geram esperança de mudança. Mas, no mundo real e racional, a capacidade de mudanças e entregas no plano local é pequena. A não ser a mudança maior, que é simbólica, mas pode virar real: acender a centelha da reinvenção do contrato social. Na prática, a sociedade espera soluções para o pós-pandemia. Com papo reto.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento da Fragata “Cunha Moreira”
Lula diz que vai incluir defesa nacional em plano de governo: 'Está cheio de maluco no mundo'
Flávio Bolsonaro, senador
O que o partido de Pazolini quer para apoiar Flávio Bolsonaro
As vítimas foram socorridas pelo Samu e encaminhadas ao hospital.
Acidente com moto deixa duas pessoas feridas em São Mateus

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados