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Jogo político

Eleições municipais vão impactar a distribuição do poder político

No ES, elas ocorrem numa conjuntura de transição política regional e podem levar a novo rearranjo das forças políticas. No Brasil, em plena crise do poder político nacional, elas podem impulsionar a reinvenção do contrato social

Públicado em 

06 jun 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Funcionários da Justiça eleitoral organizando as urnas eletrônicas para eleição 2018, armazenadas no Cartório Eleitoral da 32ª Zona
Urnas eletrônicas Crédito: Carlos Alberto Silva/Arquivo
As eleições municipais deverão ocorrer no final do ano. Desta vez, elas terão características e repercussões especiais na distribuição do poder político. No ES, elas ocorrem numa conjuntura de transição política regional e podem levar a novo rearranjo das forças políticas. No Brasil, em plena crise do poder político nacional, elas podem impulsionar a reinvenção do contrato social.
Uma fonte lembra-me que o calendário eleitoral é a ponte entre o mundo institucional e o povo. Assim, uma eleição municipal, no meio da anomia social que já dura sete anos, é a centelha que pode acender a união nacional na direção de um novo contrato social no país. Depois das eleições, vai começar para valer o jogo da recomposição das forças políticas e da agenda. Os movimentos pela democracia são apenas o começo.
No ES, a transição está em curso. Três polos acumulam forças. O liderado pelo governador Renato Casagrande; o liderado por Erick Musso, Amaro Neto e Lorenzo Pazolini; e o polo Hartunguista. Uma quarta força, em torno do bolsonarismo, se reorganiza. No calendário político, o primeiro evento foi a eleição da Findes. O governador ficou neutro e o Hartunguismo de raiz levou a melhor. Agora, as eleições municipais. Depois, as eleições para a Mesa da Assembleia Legislativa. Tudo convergindo para as eleições gerais de 2022.
Todos buscam acumular forças. O PSB do governador e o Republicano de Erick Musso saíram bem na frente. Acumularam vereadores. A eleição deste ano não terá coligação de chapas. Ganha mais vereadores o partido que, sozinho, tiver mais votos. Uma boa chapa de vereadores é crucial também para o candidato a prefeito. O PSDB, o PDT e o MDB veem depois, nesta ordem, com certa distância dos dois primeiros.
Estas eleições serão diferentes e peculiares. Pelo fim das coligações, pela pandemia, pela transição política e pela onde crescente de ataque às fake news. Não serão eleições triviais e só paroquiais. As joias da coroa são Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim e Colatina.
Todos miram 2022. O Hartunguismo quer voltar ao poder. O Republicano trabalha para ser o fiel da balança. E o polo do governador mira a reeleição. Não há, hoje, hegemonia política. O bolsonarismo veio para ficar e corre por fora. É forte na sociedade.
No plano nacional, ao fazer o mundo institucional conversar com o povo nas urnas, as eleições municipais poderão dar início à formação de novas alternativas de poder no campo democrático.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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