As nuvens da política capixaba indicam uma sutil configuração de um polo de poder de oposição ao polo liderado pelo governador Renato Casagrande. Este polo de oposição, em formação, passou o ano de 2019 na muda. Envolve lideranças políticas, empresariais, técnicas e sociais. É amplo.
No limiar de 2020, com a avalanche das enchentes, e também com as forças de segurança em confronto com o governo, o polo de oposição começou a sair da muda. As enchentes e os aumentos nas taxas de homicídios tensionaram o governo Casagrande. Não havia mais céu de brigadeiro. Vislumbrou-se, aí, um desgaste do governo. Nestas novas circunstâncias, estava aberta uma trilha para a oposição evoluir. Evoluiu.
Mas o governo reagiu bem à gestão das enchentes e à superação do conflito na área da segurança. Veio, então, uma tempestade perfeita: a pandemia do coronavírus e a queda brusca nos preços do petróleo. O governo reagiu bem outra vez. Pesquisas publicadas nas redes sociais e na imprensa mostram que o governo e o governador estavam bem avaliados no que tange ao enfrentamento das crises.
A aposta no desgaste da gestão Casagrande não se confirmou. Entretanto, as movimentações de uma oposição em articulação se tornaram mais visíveis - através de artigos e declarações, de reuniões privadas que vazaram, e nas redes sociais.
De que estamos falando? Estamos falando não apenas de governo. Mas também de poder. Todos nós sabemos que o Espírito Santo vive um momento histórico de transição política. Neste ambiente de transição - no contexto, agora, de uma pandemia avassaladora -, está visível um fato político: o polo político liderado pelo governador Renato Casagrande chegou ao governo estadual. Mas não tem hegemonia política. Esta é a motivação da oposição em formação.
É um tema que, é claro, não vai agora para a agenda. Mas poderá ir, no timing da pós-pandemia. A sequência do calendário político está posta, embora sujeita ao imponderável da pandemia. Em ordem cronológica: as eleições para a sucessão na Findes, no dia 30 desse mês; as eleições municipais, no final do ano (?); as eleições para a presidência da Mesa da Assembleia Legislativa, em fevereiro de 2021; e as eleições de 2022.
Estes eventos, em conjunto, poderão ter como resultante a superação da atual “crise de hegemonia” política. Ou não. De que forças principais estamos falando? O polo liderado pelo governador Renato Casagrande; o polo de oposição, em articulação, referenciado na liderança do ex-governador Paulo Hartung; e uma força ascendente, em formação, referenciada nas lideranças de Amaro Netto, Erick Musso e novas lideranças emergentes. O tabuleiro está em movimento. Apesar do tema ser extemporâneo.