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Artigo de Opinião

Política

Casagrande lidera processo de transição da política capixaba

Desde a posse, o governador explicita que compreendeu a missão das urnas: declarou-se de transição

Públicado em 

22 mar 2019 às 16:02
Renato Casagrande em coletiva sobre energias renováveis
Antônio Carlos de Medeiros*
O prefeito da Serra, Audifax Barcelos, iniciou aproximação política com o grupo político de Erick Musso e Amaro Neto. Reuniram-se recentemente. Um dos participantes da reunião declarou a Vitor Vogas (Praça Oito) que é “uma aproximação política visando às eleições de 2020 e até de 2022”. E que Audifax estaria “disposto a disputar contra Renato em 2022”.
Audifax não prega prego sem estopa. É um político pragmático. Isolado com a Rede, tenta fazer um movimento para seduzir o balaio de votos de Amaro Neto e, quiçá, criar um campo político para chamar de seu. Pode estar criando uma usina de bumerangues antes da hora. A antecipação intempestiva da sucessão de 2022, travestida de acordo para 2020, não tem nada de operação estratégica. No mínimo vai gerar um salve-se quem puder no mercado político.
Direto ao ponto: a política capixaba iniciou um processo de transição de gerações, de hegemonia e de agendas. Quis o destino que a liderança deste processo fosse assumida por Renato Casagrande. É uma transição que poder durar quatro, oito ou até 12 anos. Não se constrói agenda e hegemonia “a la carte”. Leva tempo.
Desde o discurso de posse, o governador explicita, com rara franqueza política, que compreendeu a missão que as urnas lhe conferiram. Declarou-se de transição. E afirma que poderá, ou não, ser candidato à reeleição. Se houver reeleição. Diz ainda que não pretende ser “árvore frondosa” que vai dar um “dedaço” para indicar seu sucessor. Casagrande entendeu o que se passa nas ruas. O papo agora é outro. Mas muitos políticos não compreenderam isto ainda. É assustador.
Para conduzir esta transição, o governador precisará atuar como estadista, e não como governador da hora. É um desafio para uma missão histórica. Vai ter que governar para além do seu PSB; dos partidos políticos; e das elites políticas. A credibilidade dos partidos e das elites políticas está em baixa. Não sustenta uma transição de agenda e hegemonia. Não confere legitimidade a Casagrande para atravessar o Rubicão.
E daí? Daí que não existem “campos”. Campo do Manato? Campo do Audifax? Campo do Casagrande? Campo do Paulo Hartung? É preciso combinar com o beque, isto é, o povo. A era da geopolítica de gabinetes e do marketing político do espetáculo passou.
O governador dá sinais de austeridade na gestão. E de ajustes nas políticas públicas de infraestrutura, saúde, segurança e educação. Consolidar a cultura da austeridade fiscal e transformar políticas públicas em políticas de Estado. Tudo isto requer a ampliação da sua coalizão de governo, para além das elites políticas. Praticar o seu reconhecido ethos democrático e a sua essência de homem do interior: dialogar e gastar a sola do sapato.
Para que antecipar o processo sucessório na largada?
*O autor é pós-doutor em ciência política pela The London School of Economics and Political Science
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