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Política

Após a pandemia, será momento de debater mudança do sistema de governo

Como se sabe, o semipresidencialismo é praticado em vários países, sendo que França e Portugal são exemplos mais apontados como eventuais referências para o Brasil

Públicado em 

11 abr 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta
Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Crédito: Carolina Antunes/PR
O conflito do presidente Bolsonaro com o ministro Mandetta mostra a agonia do presidencialismo brasileiro. Bolsonaro segue em crescente enfraquecimento. Por enquanto, os freios e contrapesos da democracia estão funcionando. Mas se a crise virar impasse político haverá uma porta de saída para uma solução sem os traumas do impeachment ou do golpe militar? Este é o nosso problema: não temos mecanismos institucionais de solução política de crises e impasses de governo.
Houvesse o semipresidencialismo, o instituto do voto de desconfiança levaria à substituição do governo sem traumas. Ainda, a possibilidade de dissolução da Câmara dos Deputados, no semipresidencialismo, é outra válvula contra os impasses políticos. Portanto, um sistema a prova de crises. Temos, agora, mais uma das inúmeras crises político-institucionais que o Brasil vivenciou. Depois da pandemia, será momento histórico pertinente para debater a mudança do sistema de governo.
Como se sabe, o semipresidencialismo é praticado em vários países, sendo que a França e Portugal são exemplos mais apontados como eventuais referências para o Brasil. Nele, o presidente partilha o poder com um primeiro-ministro e um gabinete ministerial, sendo os dois últimos responsáveis perante o Poder Legislativo. O Legislativo pode obrigar o gabinete a demitir-se, através do voto de desconfiança.
O presidente é o chefe de Estado e é eleito diretamente pelo povo, não sendo uma figura decorativa. Ele escolhe o primeiro-ministro e o gabinete, mas só o Parlamento pode removê-los. É o chamado modelo “premier-presidencial”, casos de Portugal e França. Há um papel fundamental de árbitro do governo a ser exercido pelo presidente, como chefe de Estado, mas não de governo.
A figura do presidente como chefe de Estado garante a possibilidade de um poder moderador, o presidente. A tradição cultural brasileira, desde o Império, é de um poder moderador para funcionar como “árbitro dos conflitos da elite” (na expressão de José Murilo de Carvalho). Em Portugal, a “geringonça”, que governa com estabilidade, é produto desta capacidade de arbitrar os conflitos da elite.
Já aqui no Espírito Santo, as nuvens da política regional voltaram a indicar movimentos sutis de configuração de um polo de poder de oposição ao polo liderado pelo governador Renato Casagrande. É indício de que os latentes conflitos da elite regional não estão sendo arbitrados e moderados.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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