Como se diz no mercado, “a preços de hoje” o presidente Jair Bolsonaro estaria no segundo turno das eleições de 2022. Seu projeto de poder é de longo prazo. Assim como foram, por exemplo, os projetos de poder de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sérgio Motta falava em projeto de 20 anos para o PSDB. José Dirceu falava em projeto de 20 anos para o PT. Portanto, não há novidade no projeto de longevidade de Bolsonaro. A máxima do poder é manter e aumentar o poder.
As pesquisas mostram regularidade na aprovação de Bolsonaro. Na pesquisa de fevereiro da XP, ele se mantinha no patamar de 34% de bom e ótimo, com 29% de regular. Aprovação positiva e significativa. O indicador de aprovação é fortalecido pelo fato de que 40% têm expectativa positiva do governo Bolsonaro.
É para a proteção desse nicho que Bolsonaro está em campanha permanente. A sua pauta de costumes, o seu discurso antipetista e antiesquerda, as suas bandeiras e agendas de extrema-direita e direita falam para um público cada vez mais consolidado. É o público que saiu do armário. É a tradição conservadora e ultraconservadora, muitas vezes reacionária, de grande parte da sociedade brasileira.
Essa cultura conservadora tem em Bolsonaro o seu representante. Essa pauta – cultural, identitária, evangélica, corporativista, anticorrupção e pró-porte de armas e radicalização na segurança – é a agenda hoje explícita de grandes parcelas da sociedade brasileira.
Não se trata de gostar ou não gostar, mas de constatar. É uma narrativa que veio para ficar. Uma visão de mundo. A novidade da política brasileira pós-Bolsonaro é a ascensão dessas pautas, para além das econômicas. 2013 resultou em Bolsonaro, que resultou neste novo perfil da sociedade e da política. A máxima do “é a economia, estúpido”, que explicava as razões e decisões de votos nas eleições passadas, agora estará acompanhada da máxima do “é a cultura, estúpido” nas eleições de 2022. É o habitat de Bolsonaro.
Ele tem um exército de Brancaleone nas redes sociais. É a sua “base política”. A base que ele cultiva. E não a partidária ou congressual. É disruptivo em relação à democracia representativa. Mas é o novo normal.
Para completar o quadro, as oposições – do centro para a esquerda – estão em frangalhos: sem discurso, sem narrativas convincentes, sem militância competitiva nas mídias sociais. Tudo favorece Bolsonaro. Mesmo com a economia brasileira em medíocre crescimento. A vida como ela é.