Nos últimos tempos, segmentos das elites empresariais brasileiras têm adotado posturas auto-interessadas. Sem projeto de país. Paulo Skaf, da Fiesp, por exemplo, solicitou nesta semana ao governo do Estado de São Paulo suspensão imediata do recolhimento do ICMS, por 120 dias.
Em outros Estados, solicitações semelhantes aos governos estaduais estão ocorrendo. No ES, o FEF (Fórum das Entidades e Federações) divulgou um manifesto solicitando ao Estado recursos, “inclusive das reservas financeiras estratégicas”, para “socorro às pessoas e à atividade econômica”.
Mas o problema é que os governos estaduais não podem emitir moeda, ao contrário do governo federal. O cobertor dos Estados brasileiros é curto, esta é a trágica realidade. Mesmo o cobertor do ES, que é nota “A”. Se os Estados passarem a atender reivindicações setoriais e “verticais”, vai sobrar dinheiro para a saúde e o combate à pandemia?
É óbvio que é urgente proteger os empregos e a renda e as micro, pequenas e médias empresas. É claro que os governos estaduais devem, dentro de suas respectivas realidades, ter ações concretas, além das ações de saúde. No ES, o Banestes e o Bandes, por exemplo, estão atuando na área de crédito. Mas o grosso das ações, as que terão mais efeitos estruturais e imediatos, dependem do governo federal. Que já está reagindo e aumentando o escopo das medidas. O Banco Central está em campo. O Tesouro Nacional também. Estamos numa situação de guerra. Vai ser preciso “inventar” dinheiro.
A conta vai ser alta. Estima-se até R$ 600 bilhões. Com a inclusão de mais de 1 milhão de pessoas ao Bolsa Família. Incluindo, também, a ideia de Armínio Fraga de criar um programa de renda mínima para 100 milhões de brasileiros. E mais as medidas para evitar que micro, pequenas e médias empresas fechem as portas.
Tudo vai resultar no aumento da dívida pública. Este aumento vai “socializar” a queda da produção: se houver garantia das rendas monetárias (salários, rendas dos trabalhadores informais, lucros, juros, aluguéis e outros), como lembrou Samuel Pessôa.
Enquanto isto, a boa notícia é que muitas empresas brasileiras atenderam à questão humanitária e entenderam a necessidade de compromisso civilizatório. A Vale, a Suzano, a Ambev, a Natura, a Gerdau e muitas outras estão fazendo doações humanitárias, de teste, de respiradores, de álcool e de hospitais de campanha. Vamos torcer e ter resiliência, responsabilidade e esperança.