Antônio Carlos de Medeiros*
Perto de completar seis meses de governo, final do período tido como lua de mel, o governador Renato Casagrande reuniu a equipe há poucos dias para uma imersão de planejamento estratégico. De lá, saiu o comando para buscar resultados e acelerar as entregas à população. O subtexto do comando é: agora é com Casagrande. Agora é um governo com características de governo de transição política.
Em gestos, sinais e declarações públicas o governador tem enfatizado que o foco é em resultados e que trabalha mirando a estabilidade nas relações com os outros poderes e instituições - principalmente a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a Defensoria e o Tribunal de Contas. Vaticina: “a pedra angular é a estabilidade política”. Os focos em entregas e estabilidade são faces da mesma moeda - governança e governabilidade. Nesta toada, o governo quer ter presença forte na sociedade e diálogos com a sociedade.
Manter a nota “A” na gestão fiscal, mas ter resultados para a sociedade. Nesta direção, a equipe já começou, por Cachoeiro de Itapemirim, a implantação dos chamados Conselhos Regionais. Serão dez, em dez microrregiões. Para o governo, esta será a sua via principal de diálogo com a sociedade.
Nos Conselhos, afirma alta fonte do governo, se fará a pactuação qualificada das prioridades e das entregas. Melhorar a pactuação e consolidar agendas de Estado, e não de governo. Estabilidade das regras e das políticas públicas.
Para observadores da cena política regional, “Renato inspira confiança, para dentro e para fora”. E esse seria um atributo político importante neste momento de descrédito nos políticos e nas instituições. Viria daí o mote da pactuação, e não da cooptação.
Desconfiado, o mercado político levanta interrogações e apimenta a avaliação dos seis meses com o mantra do “hegemonismo” do PSB no governo. Há controvérsias. Casagrande cultua relações políticas históricas e pauta-se pela lealdade. Isto é um atributo, assevera um observador. Na prática, a cara do governo é de coalizão. Como tal, é o processo político que vai ditar ajustes na conformação da base.
Entendendo o papel das redes sociais na intermediação política, Casagrande ampliou sua presença nas redes, compreendendo que a sociedade brasileira está hipermobilizada e que as redes empoderam o ativismo político. Esse fenômeno é irreversível. É preciso entender e conviver com ele.
Tudo somado, é bom o mercado político observar que o perfil e a resultante política da governança e governabilidade do governo Casagrande 2.0 deverão decorrer da confluência das relações com as instituições; com o mercado político (as elites políticas); com a pactuação no âmbito dos Conselhos (ascensão de novas lideranças) e com a era do Twitter na política.
*O autor é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science