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Brasil

Encontros e desencontros dos interesses das elites políticas do país

Elites políticas patrocinam movimentos contraditórios. É um labirinto a ser decifrado. Poderá distensionar, mas também poderá tensionar, as expectativas econômicas e políticas

Publicado em 10 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 out 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Em Brasília, há um jogo de articulações de bastidores que envolvem os três Poderes Crédito: Marcos Oliveira
Em Brasília, as elites políticas patrocinam movimentos contraditórios. É um labirinto a ser decifrado. Poderá distensionar, mas também poderá tensionar, as expectativas econômicas e políticas. Ora, sem horizontes para expectativas, o Brasil não avança. Ficaria sem agenda e sem capacidade para enfrentar os desafios dos próximos anos de convivência com as sequelas da pandemia: ela ainda vai ter mais repercussões sanitárias, econômicas, políticas e sociais. E neste “outro mundo” que está surgindo, ganham tração outras ideias e práticas de políticas públicas e de contrato social das sociedades.
No labirinto, há um claro concerto de conciliação das elites, na melhor tradição conservadora do Brasil, desde o Império. Articulações de bastidores em curso envolvem os três Poderes. É o reposicionamento político do governo. Ao mesmo tempo, movimentam-se expectativas de poder que dificultam a arbitragem dos conflitos.
As eleições municipais paralisam decisões sobre temas polêmicos. As reeleições de Rodrigo Maia e David Alcolumbre, também. E a fixação do presidente Bolsonaro na sua reeleição o faz querer fazer omelete sem quebrar os ovos. Vem daí o dilema shakespeariano da Renda Cidadã e do teto de gastos. A agenda eleitoral tem dominância. Mas o orçamento não é infinito.
Há necessidade de corte de gastos, para cumprir o teto. Aí, é necessário mexer no vespeiro dos interesses das corporações de funcionários e dos subsídios e benefícios fiscais. Mesmo assim, poderá não ser suficiente. Está posta a necessidade de crescimento do endividamento. Tudo é emergência. O coração do problema é o fim do auxílio, o desemprego e a exacerbação da anomia social. Vai encarar?
É nítida a mudança de foco nas políticas públicas. A agenda liberal e a agenda social democrata, que se revezaram desde o pós-guerra, precisam ganhar novos ingredientes. No “outro mundo” em formação, elas não dão mais conta do recado. Até o moderado Joe Biden trabalha com este cenário, na catedral do capitalismo.
A crise deixa marcas para um mundo de novos consensos. Os governos terão que conviver com níveis mais elevados de endividamento. Serão necessários altos investimentos na recuperação das economias; na reconversão industrial; na pauta da economia verde; e na renda básica. Um novo normal. Estas pautas novas ganharam tração. E são prioridades para as novas gerações. Se ficar de fora, o Brasil pode perder de vez o bonde da História.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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