Não fosse o auxílio emergencial concedido pelo governo federal, o PIB brasileiro teria “minguado” ainda mais em 2020 por conta da pandemia. Talvez a taxa de recuo se aproximasse dos 9,1% anunciados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) no meio do ano. Estimativas dão conta de que a queda chegue a 4,3%. Fato que deve ser considerado como um avanço. No entanto, com o seu término em dezembro, a economia começa a patinar novamente e deixa dúvidas em relação ao seu desempenho esperado para 2021.
No conjunto das maiores economias do mundo, que tem na liderança a economia americana, seguindo-se a chinesa, o Brasil vem perdendo posições desde 2014. Da oitava posição caiu para a décima segunda, agora tendo à sua frente a Coreia do Sul, a Rússia, Canadá e Itália. Isso mesmo não tendo apresentado as maiores quedas por conta da Covid. É certo que temos que levar em conta que esse ranking é feito com os PIBs transformados em dólar. Fato que prejudica o Brasil, pois sofreu desvalorização da sua moeda, o real, acima da média geral.
Mas, o que importa é o fato concreto de que continuamos a nos defrontar com sérios obstáculos no destravamento da economia. Ou seja, continuamos patinando. A “muleta” do auxílio serviu apenas para amortecer a queda, não ensejando o acionamento de mecanismos de auto propulsão, especialmente que movesses decisões de produção e investimentos. Em resumo, ficamos presos na dependência da “muleta” do auxílio para fazer a roda da economia girar.
Assim, tudo indica que teremos um primeiro trimestre de frustrações. O mercado já reage colocando no horizonte próximo a redução do PIB. Sem dúvida, uma sinalização ruim, pois normalmente é no início de ano que se formam as expectativas que embasam as decisões econômicas. Frustra-se assim a manutenção de uma possível tendência de retomada em V, propalada pelo governo.
É bom esclarecer que o auxílio emergencial não foi pouca coisa não. Foi, proporcionalmente, um dos maiores, senão o maior programa de transferência direta de renda dentre as grandes economias. Representou um acréscimo de cerca de 10% do total da massa salarial. Ou seja, renda adicional injetada diretamente no consumo. Impactou também os depósitos em bancos, que cresceram em um trilhão de reais.
O retorno do auxílio pode ser inevitável e, portanto, necessário e recomendado. Porém, não suficiente. O país está à espera de uma resposta crível, um projeto de retomada por parte do governo federal, que assegure expectativas otimistas e duradouras.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta