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Pandemia

Governo brasileiro sempre busca culpados para qualquer contrariedade

Ministro da Saúde chegou a culpar o fuso horário da Índia pelo atraso nas negociações em torno da liberação dos 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca

Publicado em 23 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 jan 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

O presidente Bolsonaro em cerimônia de posse do ministro da Saúde, Pazuello
Ministro da Saúde, Pazuello, e o presidente Bolsonaro: governo tem incontestável confusão na gestão do combate à pandemia do COVID-19. Crédito: Carolina Antunes/PR
Numa de suas falas, nesta semana - e foram muitas, é importante registrar -, o ministro da Saúde chegou a culpar o fuso horário da Índia pelo atraso nas negociações em torno da liberação dos 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Revelando, assim, uma incontestável confusão, desacertos, estado de guerrilha, para não dizer de caos dominante, neste país no processo de gestão do combate à pandemia da Covid-19.
Felizmente, mesmo atrás de mais de 50 outros países, aos “trancos e barrancos” deu-se início ao tão desejado processo de vacinação. A despeito do fuso horário, é bom que se diga. Ainda bem que o ministro admite que a terra é redonda, pois se fosse plana não haveria o tal fuso horário para atrapalhar.
Essa de culpar o fuso horário revela-nos o lado compulsivo desse governo em sempre estar em busca de culpados para qualquer contrariedade. A depender dos fatos podem ser os governadores, os prefeitos, o Supremo, o Congresso, a imprensa, o Doria e tantos outros mais, a critério das conveniências. Até mesmo os mortos podem levar a culpa, talvez por não terem devidamente seguido o receituário preventivo, ou seja, aquele do tratamento “precoce” indicado.
Agora o problema é com a China, hoje na condição de quase exclusivo fornecedor mundial de insumos para a produção de vacinas. Tanto a AstraZeneca quanto a Coronavac dependem de componentes vindos de lá. Logo a China, o nosso maior parceiro comercial e investidor externo no país, e que foi objeto de ataques do deputado Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que acusou o país pelo vírus, por ele classificado como um ataque comunista, e por suposta espionagem através da Huawei. Ataques esses que contaram com o respaldo do ministro Ernesto Araújo, que agora se vê, ironicamente, na condição de peremptória necessidade de “conversar” com a alta patente chinesa.
Mas, o certo é que todo esse “imbróglio” está levando o pais para o retardamento do processo de retomada da economia e da agenda de reformas necessárias para que o país melhore a sua competitividade. O setor produtivo já acendeu a luz de alerta. Nesta semana instituições representativas de amplo leque de segmentos do setor industrial lançaram a “Coalizão Indústria”, com postagem de anúncio no Valor clamando para “Reformas Já” e “Está na Hora de Virar o Jogo”. E o que está em jogo é a competitividade do país.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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