É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Espírito Santo diante da bipolaridade sino-americana

Desenrolar do processo de reconfiguração da ordem econômica mundial que emergirá da bipolarização entre os Estados Unidos e a China levanta hipóteses para o cenário econômico capixaba

Publicado em 12/12/2020 às 05h00
Atualizado em 12/12/2020 às 05h03
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Economia capixaba tem forte dependência do comércio exterior. Crédito: Vitor Jubini

Qualquer cenário econômico que venhamos projetar para o Espírito Santo, especialmente no longo prazo, pressupõe necessariamente o estabelecimento de hipóteses acerca do desenrolar do processo de reconfiguração da ordem econômica mundial que emergirá da bipolarização entre os Estados Unidos e a China. Mas, essencialmente de como o Brasil se posicionará através de sua política externa.

A economia capixaba tem algo que lhe é muito peculiar: a forte dependência do comércio exterior. E nesse aspecto, particularmente do que acontece nos Estados Unidos, seu maior parceiro comercial, e na China, que aparece na segunda posição. A movimentação financeira do comércio externo capixaba já chegou a representar o equivalente a 50% do PIB. No entanto, em razão da crise, esse percentual caiu para algo em torno de 34%, mesmo assim mantém-se no topo do ranking entre Estados.

O chamamento da atenção, e consequentemente de preocupação, em relação a essa questão, prende-se principalmente ao legado da recente da política externa brasileira, principalmente no tratamento dessa bipolaridade. Uma certa aderência, em certos aspectos até subserviente, do Brasil aos Estados Unidos, sem dúvida, já se impõe como fator dificultador em novos e necessários posicionamentos. E isso, tanto em relação ao lado chinês quanto ao americano, em breve sob comando de Biden.

Pelo menos no campo econômico, que é o que sempre predomina, a tendência é de consolidação do poderio asiático, que se reconfigura agora com o novo acordo de livre comércio entre 15 países, sob a liderança da China e que abarca cerca de 30% do PIB mundial. Esse bloco, além de liderar a nova revolução industrial, a indústria 4.0, tem em mãos também o invejável poderio de direcionar um volume enorme de poupança, coisa escassa hoje nos Estados Unidos e na Europa.

Diante desse cenário, o que se espera do Brasil é uma nova política externa, de preferência sem a clivagem ideológica, até agora pouco ou nada pragmática, e em certos momentos explicitamente belicosa. O Brasil não somente precisa expandir-se em mercados lá fora, mas também qualificar-se para ser o receptáculo de investimentos externos, em especial para viabilizar a urgente agenda de investimentos em infraestrutura. E é nesse particular que entra o Espírito Santo, que já está preparado e dispõe de um portfólio de projetos prontos e viáveis.

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