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Ariosto Santos

Artigo de Opinião

É cirurgião plástico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Queimaduras
Ariosto Santos

Queimaduras no trabalho: um trauma que pode ser evitado

A pressa, a autoconfiança excessiva, a ausência de treinamentos adequados e até a negligência no uso de equipamentos de proteção aumentam significativamente as chances de acidentes graves
Ariosto Santos
É cirurgião plástico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Queimaduras

Publicado em 06 de Junho de 2026 às 10:00

Publicado em 

06 jun 2026 às 10:00

As queimaduras seguem entre os traumas mais graves e impactantes da medicina. Além das consequências físicas, elas carregam efeitos emocionais, sociais e profissionais que podem acompanhar o paciente por toda a vida. Em muitos casos, o acidente acontece em segundos, mas as sequelas podem durar anos.

Neste 6 de junho, Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, a campanha Junho Laranja, promovida pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), chama atenção para um tema urgente: “Trabalho seguro sem queimaduras”. O slogan deste ano resume uma verdade incontestável: “Prevenção é o melhor equipamento de proteção”.

Embora acidentes domésticos ainda representem grande parte dos casos atendidos nos hospitais, os acidentes de trabalho envolvendo queimaduras merecem atenção crescente. Indústrias, cozinhas industriais, construção civil, redes elétricas, oficinas e atividades com produtos químicos ou inflamáveis fazem parte de uma realidade em que a prevenção precisa ser prioridade permanente.

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O problema é que muitas vezes o risco se torna invisível na rotina. A pressa, a autoconfiança excessiva, a ausência de treinamentos adequados e até a negligência no uso de equipamentos de proteção aumentam significativamente as chances de acidentes graves.

Como médico e profissional que acompanhou durante anos pacientes vítimas de queimaduras, posso afirmar que poucas situações são tão desafiadoras quanto o tratamento de grandes queimados. Em muitos casos, o paciente enfrenta internações prolongadas, múltiplas cirurgias, enxertos, dores intensas e um longo processo de recuperação física e emocional.

É importante compreender que segurança não pode ser encarada apenas como protocolo burocrático. Ela precisa fazer parte da cultura das empresas e da consciência individual de cada trabalhador. Equipamentos de proteção individual, manutenção preventiva, treinamentos frequentes e ambientes seguros salvam vidas.

A informação também é uma ferramenta poderosa de prevenção. Saber identificar riscos e agir corretamente diante de acidentes pode reduzir danos e evitar complicações.


Outro desafio importante é combater práticas inadequadas ainda muito comuns após queimaduras, como o uso de substâncias caseiras sobre a pele lesionada. O correto é resfriar a área com água corrente e procurar atendimento médico especializado.

A queimadura é um trauma silencioso que transforma rotinas, famílias e histórias. E justamente por isso, prevenir continua sendo a atitude mais inteligente, humana e eficaz.
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