É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Quebra de paradigma na política de austeridade fiscal

Nos EUA, renomados acadêmicos já se penitenciam do que consideram políticas equivocadas. Aqui no Brasil, surge a tese de que a relação dívida/PIB, por exemplo, não deveria servir como indicador de solvência de um país

Publicado em 19/12/2020 às 05h00
Dinheiro em pilha de moedas
Pandemia suscitou importantes debates sobre políticas econômicas dos governos. Crédito: jcomp/Freepik

Se de um lado a pandemia da Covid-19 vem fazendo estragos inestimáveis à humanidade, por outro vem suscitando debates e incursões em temas antes considerados irrelevantes ou por alguma razão deixados submersos. E entre esses temas reputo de relevância as discussões envolvendo questões do Estado, nas suas funções e papéis, mas especialmente chamando a atenção para o campo da política econômica. Nesse aspecto, começam a ser objeto de contestações certos consensos e verdades acerca, por exemplo, de políticas fiscais e monetárias pautadas pela austeridade.

É até possível que a pandemia tenha ajudado a mostrar mais claramente a fragilidade e o despreparo, quase que generalizado, do Estado, através dos seus respectivos governos, em lidar com adversidades como as enfrentadas no momento. E no campo econômico, a questão central, que é ao mesmo tempo uma indagação, diz respeito ao como criar condições favoráveis e sustentáveis para a retomada do crescimento e desenvolvimento de países e do planeta terra. Um desafio que pode implicar, inclusive, a necessidade de se rever certos paradigmas.

Na edição deste último final de semana, o jornal Valor publicou artigo de André Lara Resende com o título “Mudança de Paradigma”. Aliás, Resende já vem batendo nessa tecla faz tempo. Agora, reverberando e dando visibilidade a um debate que vem ganhando espaço nos Estados Unidos. Lá, renomados acadêmicos de instituições como Harvard e MIT, além de personalidades com passagens em altos postos de comando da política econômica como Bem Bernanke (ex-Federal Reserve), Olivier Blanchard ( ex-FMI e assessor de Obama) e outros, já se penitenciam do que consideram políticas equivocadas de excesso de austeridade fiscal. Isso numa clara contestação de políticas de austeridade fiscal e de equilíbrio monetário.

Aqui no Brasil, Bresser Pereira e Nelson Marconi, ambos da FGV de São Paulo, em recente fórum de debate defenderam a tese de que a relação dívida/PIB, por exemplo, que hoje no Brasil já beira mais de 90%, não deveria servir como indicador de solvência de um país. A explicação para isso é complexa e não cabe aqui. Isso significa que haveria espaço para expansão da dívida, que poderia ser utilizada, segundo Bresser-Marconi, para investimentos e não custeio. Defendem a criação de uma agencia nacional de investimentos públicos. Algo a provocar brilho nos olhos dos ministros Tarcísio Freitas e Rogério Marinho. Acho que a discussão é válida e bem atual.

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