Tenho observado que em praticamente todos os discursos e agendas dos candidatos às prefeituras municipais a temática do emprego esteve presente. Da mesma forma nas falas dos que venceram as eleições. Não deveria ser diferente, diante da amplitude e profundidade da crise e a constatação de que o cenário que se desenha ainda não se mostra nada promissor. E mais, sabemos também que a geração de emprego, de uma forma geral, depende quase que exclusivamente de condicionantes de natureza mais macroeconômica, consequentemente de abrangência nacional, do que de fatores localizados.
Assim, o espaço de domínio e de intervenção das gestões municipais no campo específico da geração de emprego e renda se mostra até ínfimo se comparado com escalas de domínios bem mais amplas de intervenções de políticas nacionais. Em síntese, o que quero dizer com isso é que as escolhas nesse campo dependem sempre mais do que acontece em Brasília. Ou seja, passam pela política, e necessariamente pela articulação entre Executivo e Legislativo Federal. E lá as coisas estão literalmente “empacadas” e fazendo com que a economia também “empaque”. Trata-se de um nó que tem que ser desatado, sob pena de enveredarmos por cenários mais desalentadores.
Mesmo nesse estreito espaço de manobra disponível aos municípios é possível vislumbrarmos algumas delas com capacidade e potencial de gerar resultados. Naturalmente, não tão significativos como se desejaria, principalmente levando-se em consideração a situação de penúria de recursos pela qual passam. E a condição que se coloca é de se fazer o máximo com o pouco que se dispõe. E isso significa atuar sobretudo no âmbito da melhoria dos serviços prestados para a população e para o desenvolvimento dos negócios. E o relevante a ser lembrado é de que quem de fato gera emprego e renda é o setor produtivo, por pressuposto, privado.
E, ao que nos parece, a maioria dos novos prefeitos entenderam a demanda e o recado, pois anunciaram o apoio à criação da “casa do empreendedor”, uma instância voltada ao apoio e desenvolvimento do “espírito” empreendedor. Mas essa iniciativa tem que vir suportada por condições que melhorem e promovam, e de forma sustentada, o processo de inovação do ambiente local de negócios. Hoje, as novas tecnologias de informação e comunicação disponíveis podem ajudar muito na redução da burocracia e atendimento das demandas. A hora é de se repensar, redesenhar e construir uma nova máquina pública municipal.