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Eleições nos EUA

Será que nos EUA também as pernas da mentira estão se alongando?

Afronta sistemática a valores, à virtude da verdade e ao espírito de nação decepcionariam Alexis de Tocqueville, pensador do século XIX que foi entusiasta da experiência americana de democracia

Públicado em 

14 nov 2020 às 04:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala aos seus apoiadores na Sala Leste da Casa Branca, em Washington, nas primeiras horas desta quarta-feira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não aceitou o resultado das eleições Crédito: Evan Vucci/AP/Estadão Conteúdo
Presumo que Alexis de Tocqueville, pensador, político e historiador francês do século XIX, estaria se removendo todo no túmulo, hoje, ao se inteirar dos últimos acontecimentos envolvendo as eleições nos Estados Unidos da América. Talvez mais pela afronta sistemática a valores, à virtude da verdade e ao espírito de nação emulado de seus fundadores promovida pelo ainda atual presidente Trump, do que poderíamos julgar advir de tentativas, ou mesmo iniciativas, no sentido de desacreditar o modelo eleitoral.
Tocqueville foi um entusiasta obcecado pela experiência americana de democracia, especialmente no seu nascedouro. Enviado pelo governo francês para os Estados Unidos na função de observador, no ano de 1831, por lá permanecei por dois anos, aprofundando-se em investigações, observações e análises da sociedade americana, mas sobretudo em relação à construção daquela nação, vista como a primeira experiência efetiva de democracia da era moderna.
Retornando à França em 1835, escreveu um denso e consistente relatório do que viu naquele “novo mundo”, que curiosamente teve como espelho e inspiração os mesmos princípios liberais de liberdade e igualdade do seu país. O relatório em questão, publicado em forma de livro, ganhou título de “Democracia na América”. Nele, além de enaltecer os avanços e a consolidação do modelo e funcionamentos da democracia no novo país, debruça-se em estabelecer comparações com as experiências na sua Europa ainda impregnada pela aristocracia e sob o domínio desta. Encantou-se com o que ele viu de democracia de “raízes”.
Mas o que me chama a atenção neste momento nos Estados Unidos é uma percepção de enfraquecimento no tocante ao exercício da virtude da verdade. A mentira tomou-lhe parte do seu espaço. Aprendi, principalmente por ter vivido naquele país por cerca de três anos, que o ato de mentir é considerado um ato abominável.
Estava lá quando o então presidente Nixon renunciou ao posto mais alto do país ao ser pego mentindo sobre o caso “Watergate”. Aliás, convenhamos, uma “mentirinha” diante da enxurrada de mentiras e da postura negacionista compulsiva de Trump. Será que lá também as pernas da mentira estão se alongando?

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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