Do Brasil, marcaram presenças virtualmente os ministros Guedes, da Economia, Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, Tereza Cristina, da Agricultura, além de João Doria, governador de São Paulo. Mas, ao que nos parece, o Brasil, num sentido simbólico, está mesmo longe de Davos e dos temas centrais objeto de debates no Fórum.
Em verdade, o Fórum Econômico Mundial deste ano toca em temas que no momento o Brasil está longe de tê-los na sua agenda de prioridades. Ao contrário, nos últimos anos meteu-se em contendas com as quais agora se vê às voltas em apaziguá-las. É o caso do tema “Negócios e Mudanças Climáticas”, que vem acompanhado de questões sociais e de combate às desigualdades. Temas que agora são realçados por conta da pandemia que assola todo o planeta.
Outro tema com o qual o Brasil também não se sente confortável refere-se à geopolítica, que se desdobra em questões como tensões comerciais crescentes, multilateralismo e o globalização em transição. Nesse campo o nosso país tem optado por uma política externa na direção oposta do globalismo e do multilateralismo. Ou seja, vem construindo seu próprio isolamento.
No entanto, o mais preocupante é que nessa nova geopolítica em construção, o Brasil terá que necessariamente redesenhar totalmente a sua política externa, sob pena de isolar-se ainda mais. Movimento que dificilmente conseguirá executar a contento, tendo à frente o atual Ministro das Relações Exteriores.
Isso fica mais claro quando observamos os últimos movimentos nos principais mercados com os quais o Brasil opera. Como lidar, por exemplo, com os EUA, agora com o novo secretário de Estado, Antony Blinken, tido como multilateralista, e além disso, europeísta e intervencionista? A tendência é privilegiar as relações com a Europa, reforçando a agenda climática, no Acordo de Paris.
Já com a China, hoje o maior parceiro comercial, com a qual o Brasil já tem várias fissuras nas suas relações, Xi Jinping também deixou claro na sua fala de abertura no Fórum de Davos que preza o multilateralismo, a cooperação mundial, opondo-se a ideologização nas relações entre países.
O Brasil precisa aproximar-se de Davos para avançar.