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Física

Hidrogênio e grafeno: Petrobras coloca R$ 15 milhões em pesquisa feita no ES

O hidrogênio é uma das maiores apostas da indústria intensiva em energia para fazer a transição energética e o grafeno é um material muito resistente e de alta condutividade elétrica e térmica

Publicado em 20 de Setembro de 2025 às 03:00

Públicado em 

20 set 2025 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

Professor Alfredo Cunha mostra resfriador dentro do Laboratório de Plasma Térmico da Ufes
Professor Alfredo Cunha mostra resfriador dentro do Laboratório de Plasma Térmico da Ufes Crédito: Abdo Filho
A Petrobras vai investir 15,8 milhões em uma pesquisa para geração de hidrogênio e grafeno a partir do gás natural. O hidrogênio é uma das maiores apostas da indústria intensiva em energia (caso da siderúrgica, que hoje utiliza muito carvão) para fazer a transição energética e o grafeno é um material muito resistente e de alta condutividade elétrica e térmica, por isso, é muito promissor nas mais diversas aplicações tecnológicas e até médicas.
A pesquisa está sendo tocada pelo professor Alfredo Cunha, do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo. O trabalho será feito com alunos e técnicos dos laboratórios de Materiais Carbonosos e Cerâmicos (LMC) e Plasma Térmico (LPT) da Ufes. "Em 2006, quando estávamos fazendo um outro estudo para gerar hidrogênio, surgiu um resíduo, no decorrer do processo, que não estava previsto. Tive de mandar a amostra para a Inglaterra para conseguir identificar, não tinha microscópio no Brasil que era capaz disso, que tratava-se de grafeno. Agora, o objetivo é gerar mais hidrogênio e mais grafeno a partir da reforma a seco do gás natural, usando um jato de plasma de CO2", explicou o professor. "O processo, além de gerar hidrogênio, faz a captura do carbono na forma de sólido com alto valor agregado, diminuindo a emissão do CO2 que provoca o efeito estufa".
O trabalho começa agora em outubro e deve levar pelo menos dois anos para ser concluído. Dos mais de R$ 15 milhões, R$ 6 milhões irão para dois equipamentos essenciais: um microscópio eletrônico de varredura de alta resolução field emission gun (0,6 nm), que sairá por R$ 4 milhões, e uma fonte de potência que deve ficar em R$ 2 milhões.
"Teremos a infraestrutura necessária para conseguirmos fazer as pesquisas e analisar os resultados. O grande problema do hidrogênio é ganhar escala, é nisso que vamos trabalhar, queremos otimizar a produção. Tudo será a partir do plasma térmico, e esse nosso laboratório é uma referência no Brasil. A partir desse trabalho do hidrogênio, também teremos grafeno, o que abre uma nova frente de trabalho. Nos dois casos o potencial do estudo e das posteriores consequências são enormes. É um estudo de ponta no Brasil e no mundo".
O professor Alfredo Cunha e seus alunos no Laboratório de Plasma Térmico da Ufes
O professor Alfredo Cunha e seus alunos no Laboratório de Plasma Térmico da Ufes Crédito: Abdo Filho

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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