ASSINE

O incrível dia em que o piloto da TAM errou de aeroporto e pousou avião em Guarapari

Os passageiros cobravam justificativas do piloto, que se limitou a informar que realizou um pouso visual e quando percebeu o erro não havia mais tempo para realizar o processo para retornar à rota para Vitória

Publicado em 15/09/2015 às 20h41
Reportagem de A Gazeta de 1998 relata o episódio em que aeronave da TAM com destino a Vitória acabou pousando em Guarapari por engano
Reportagem de A Gazeta de 1998 relata o episódio em que aeronave da TAM com destino a Vitória acabou pousando em Guarapari por engano. Crédito: Arquivo / A Gazeta

O avião Fokker-100, prefixo PT-MRG, da TAM, saiu do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 8h20 da manhã do dia 9 de julho de 1998 e chegou ao Espírito Santo às 9h50. Seria um voo normal, se o avião não tivesse pousado no Aeroporto de Guarapari.

Após aterrissagem visual, o piloto, comandante Tozzi, informou aos 108 passageiros que o pouso no Aeroporto Eurico de Aguiar Salles (Vitória) havia sido completado. A comissária de bordo, Nelli Cristina, abriu a porta e perguntou pelo serviço de apoio da TAM, mas não imaginava que o voo - repleto de engenheiros que participariam de um processo de licitação na então Vale do Rio Doce - havia parado no balneário capixaba em vez da Capital.

O administrador do aeroporto na época não entendeu muito bem a aterrissagem e quis saber se havia sido algum procedimento de emergência. O homem ainda fez questão de informar que o aeroporto não estava em operação no momento do pouso.

Os passageiros cobravam justificativas do piloto, que se limitou a informar que realizou um pouso visual e quando percebeu o erro não havia mais tempo para realizar o processo para retornar à rota para Vitória. 

Dali, os assustados passageiros - de acordo com reportagem de A Gazeta do dia seguinte ao incidente - poderiam escolher seguir para Vitória em táxis fretados pela companhia aérea ou continuar a viagem em novo voo, que duraria 15 minutos. 45 dos 108 passageiros escolheram a viagem por terra. "Nesse aí eu não embarco mais", contou o passageiro Ari de Carvalho à reportagem da época.

A TAM analisou três possíveis causas para o insólito pouso. De acordo com o assessor de imprensa da empresa em 1998, houve indícios de perda de sinais enviados pela torre do Aeroporto de Vitória pela falha de um sistema chamado DME.

O comandante Tozzi seria um piloto com larga experiência e mais de oito mil horas de voo. Portanto, as aterrissagens foram perfeitamente executadas, de acordo com a companhia. Até então, a empresa não havia registrado nenhum incidente semelhante.

Sobre a falha do DME, o secretário de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), José Ataíde Seabra, falou para a reportagem em 1998 que, mesmo com a falha do equipamento, existem outros mecanismos que auxiliam o piloto. 

Outra possibilidade seria o fato de o piloto ter decidido fazer um pouso visual, procedimento que seria realizado uma vez por ano como uma espécie de prova prática aplicada aos pilotos. A tripulação era composta pelo comandante Tozzi, o co-piloto Boni e as comissárias Nelli Cristina, Mirna, Babi e Sibele Flor, além do Major Odim, que acompanhava o voo para checar a capacidade funcional do piloto.

Se para os passageiros do voo o pouso pode ser considerado traumatizante, os familiares daqueles que estavam no avião passaram por momentos de grande apreensão pela falta de notícias a respeito dos passageiros.

Em 1998 a comunicação não era tão imediata como hoje. Familiares e pessoas próximas que aguardavam os passageiros no destino original do avião ficaram nervosas com a falta de notícias. Uma mulher que aguardava o marido resolveu protestar contra o desconhecimento dos funcionários da TAM e começou a jogar objetos do guichê no chão. Nem mesmo a lista de passageiros do voo foi disponibilizada para quem aguardava no local ou para a imprensa.

O Fokker 100 PT-MRG ainda passou por operações de companhias mexicana e paraguaia depois da TAM, e hoje encontra-se estocado em posse da empresa Jet Midwest Group LLC. 

Reportagem originalmente publicada em setembro de 2005, por Wing Costa. 

Guarapari aviao capixapedia

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.