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Servidores comissionados "guardiões do Crivella" são alvo de operação

Grupo, pago com dinheiro público para impedir pessoas de criticarem a prefeitura em entrevistas, será investigado por três crimes

Publicado em 01/09/2020 às 17h27
Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella
Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, até participava de um dos grupos no WhatsApp. Crédito: Prefeitura do Rio/Flickr

A Polícia Civil do Rio de Janeiro faz, nesta terça-feira (1º), a Operação Freedom contra os "Guardiões do Crivella", uma referência ao prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). O alvo é um grupo de servidores públicos que fazem serviço ilegal na porta de hospitais municipais.

O esquema, que tenta atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir queixas da população, foi denunciado nesta segunda-feira (31) em reportagem da TV Globo.

A ação policial visa o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Segundo a Draco-IE (Delegacia de Repressão a Crimes Organizados e Inquéritos Especiais), são investigados os crimes contra a segurança de serviço de utilidade pública, associação criminosa e advocacia administrativa. As penas por esses crimes, somadas, podem chegar a 9 anos de prisão.

Os mandados foram expedidos pelo juízo do plantão noturno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a pedido de delegados da Draco-IE.

De acordo com a Polícia Civil, um dos mandados de busca seria no morro da Mangueira, na zona norte da cidade, e por conta de decisões judiciais, que restringem as ações das polícias em comunidades, não poderá ser cumprido.

Um dos alvos da operação é Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, que aparece em grupos de WhatsApp dando ordens aos assessores. Com ele, agentes apreenderam notebooks, celular, dinheiro, cheques, contratos e um pacote escrito "Crivella".

Desde 2017, Marcos Luciano é assessor especial do gabinete do prefeito. Em julho, o salário foi de R$ 10,5 mil. Em 2018, ele ganhou uma moção de aplausos e louvor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a pedido da deputada estadual Tia Ju (Republicanos), o mesmo partido de Crivella, que atualmente é secretária de Assistência Social e Direitos Humanos da Prefeitura do Rio.

Segundo a polícia, os funcionários da prefeitura, sob a orientação do gabinete do prefeito, fazem plantão na frente dessas unidades de saúde e atuam como seguranças. Esse grupo de servidores tem escalas diárias, horários rígidos e ameaças de demissão.

Por meio de nota, a Prefeitura do Rio informou que reforçou o atendimento em unidades de saúde municipais "no sentido de melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública, como, por exemplo, quando uma parte da imprensa veiculou que um hospital [no caso, o Albert Schweitzer] estava fechado, mas a unidade estava aberta para atendimento a quem precisava".

De acordo com a prefeitura, uma falsa informação pode levar pessoas necessitadas a não buscarem o tratamento onde ele é oferecido, causando riscos à saúde.

Questionada sobre a participação dos servidores públicos nesta ação na porta dos hospitais, a prefeitura não havia se manifestado nesta terça. A defesa de Marcos Luciano ainda não foi localizada pela reportagem.

O PSOL, por meio da deputada estadual Renata Souza e de sua direção, ingressou nesta terça-feira com um pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella na Câmara dos Vereadores.

Para o partido, a denúncia da existência de grupo "Guardiões de Crivella" configura "flagrante inobservância dos princípios da probidade administrativa, em especial da honestidade, imparcialidade e legalidade, além de possível crime de responsabilidade".

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