Publicado em 8 de abril de 2022 às 16:03
- Atualizado há 4 anos
O PSB indicou formalmente o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para compor a chapa do ex-presidente Lula (PT) como candidato a vice-presidente nas Eleições 2022. A indicação foi feita em reunião com os presidentes do PT e do PSB, nesta sexta-feira (8), em São Paulo, da qual também participaram Lula e Alckmin.>
Em discurso ao lado de Alckmin, Lula enalteceu a experiência de ambos. "Nós vamos precisar da minha experiência e da experiência do Alckmin para reconstruir o país, conversando com toda a sociedade brasileira.">
"Estamos dando uma demonstração muito forte ao Brasil", seguiu Lula, referindo-se à aliança entre antigos rivais. O movimento foi defendido como necessário para superar Jair Bolsonaro (PL).>
"Este dia para mim é importante. Alckmin, eu tenho certeza que o Partido dos Trabalhadores irá aprovar o seu nome como candidato a vice", disse o ex-presidente. "Você será recebido como um velho companheiro dentro do nosso querido Partido dos Trabalhadores.">
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Depois de ser chamado de senhor por Alckmin, Lula afirmou querer "estabelecer um critério de relação". "Daqui pra frente, você não pode mais ser tratado de ex-governador e eu não posso ser tratado de ex-presidente. Você me chama de companheiro Lula e eu chamo você de companheiro Alckmin.">
Lula ressaltou que já foi adversário de Alckmin e de outros tucanos, mas que o tratamento entre eles sempre foi civilizado. O petista falou em "tentar esclarecer à opinião pública uma coisa que muita gente agora está percebendo: feliz era este Brasil quando a polarização se dava entre PSDB e PT".>
Lula
Ex-presidente da República e pré-candidato pelo PTLula comentou a relação histórica entre PSB e PT. "É plenamente possível duas forças com projetos diferentes, com princípios iguais, podem se juntar num momento de necessidade do povo. [...] Temos que provar à sociedade brasileira que o Brasil está precisando de amor e não de ódio", disse o petista.>
Ele criticou o que chamou de política de ódio de Bolsonaro, a quem chamou de genocida.>
"Essa chapa, se for formalizada, não é só para disputar as eleições. Talvez ganhar seja mais fácil do que a tarefa que nós teremos pela frente para recuperar esse país", completou Lula, ressaltando que irá se "dedicar de corpo e alma".>
O ex-presidente afirmou ainda que o PSB irá participar da elaboração do programa de governo e da montagem do governo, se a chapa for vitoriosa. "Antes disso, a gente vai ter que combinar como ganhar as eleições", disse.>
Em seu discurso, Alckmin falou em grandeza política e desprendimento. "A política não é uma arte solitária. A força da política é centrípeta. Nós vamos somar esforços para a reconstrução do nosso país", disse o ex-governador.>
Geraldo Alckmin
Ex-governador de São PauloAlckmin mencionou o crescimento do PIB no último ano de Lula e disse querer recuperar o emprego, além de combater a violência e a miséria. Ele declarou colocar seu nome à disposição com entusiasmo e esperança.>
Depois da polêmica despertada ao dizer que aborto deve ser questão de saúde pública e após minimizar a fala dizendo-se pessoalmente contra o procedimento, Lula equiparou a Bíblia e a Constituição ao falar de direitos.>
"É só pegar a Constituição, pegar a Bíblia e pegar a Declaração Universal dos Direitos Humanos que ali está tudo escrito o que o povo tem direito e que a gente não consegue cumprir", disse.>
Depois da reunião, Lula e Alckmin almoçaram juntos.>
Formalizada a indicação do PSB, o diretório nacional do PT deve se reunir no próximo dia 14 para indicar a chapa para aprovação durante o encontro nacional do partido, em 4 e 5 de junho. Em 30 de abril está previsto um ato público com a participação de Lula e Alckmin. >
Da parte do PT, além de Lula e da presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, participaram os deputados federais José Guimarães (CE), Paulo Teixeira (SP) e Reginaldo Lopes (MG); o senador Paulo Rocha (PA); o deputado estadual Emidio de Souza; o secretário de comunicação do PT, Jilmar Tatto; e o presidente da fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante.>
A comitiva do PSB incluiu Alckmin; o presidente da sigla, Carlos Siqueira; o ex-governador Márcio França; os deputados federais Danilo Cabral (PE) e Alessandro Molon (RJ); o prefeito João Campos; o governador Paulo Câmara (PE); o deputado estadual Caio França; e o ex-prefeito Jonas Donizette.>
A indicação também foi formalizada em carta do PSB ao PT. "Essa proposição não se limita apenas ao aspecto eleitoral e envolve uma dimensão programática", diz o texto.>
Segundo a carta, "a composição de uma frente ampla exige a formulação de um programa que corresponda às perspectivas das forças que a compõem, tanto em termos políticos partidários quanto o que se refere aos segmentos da sociedade civil que tal frente pretende representar".>
Na prática, o PSB reivindica participação na campanha e no programa de governo do PT. O documento afirma ainda que o PSB apresentará um programa e petende que ele seja incorporado na plataforma de Lula.>
Segundo o PSB, "a democracia não pode ser uma fórmula vazia" e é preciso assegurar cultura, saúde, educação e prosperidade aos brasileiros.>
"Apenas uma [chapa], contudo, pode entregar à população o muito que, com toda legitimidade, ela exige. Temos convicção de que esta chapa é a que se consolidará com as candidaturas dos companheiros Lula e Geraldo Alckmin.">
A carta, assinada pelo presidente do PSB, afirma que "o que estará em questão na eleição de 2022 é o confronto decisivo entre democracia e autoritarismo".>
Desde que a aproximação entre Lula e Alckmin foi revelada na coluna Mônica Bergamo, da Folha, em novembro passado, o ex-governador percorreu o caminho esperado para selar a aliança deixou em dezembro o PSDB, partido que ajudou a fundar, e se filiou ao PSB, principal legenda a embarcar na campanha do petista até agora.>
Em paralelo, PSB e PT negociavam uma federação, que não saiu do papel a aliança foi formada apenas entre PT, PV e PC do B.>
Embora a federação não tenha vingado, já havia a garantia de que o PSB apoiaria Lula e de que o acordo para que Alckmin ocupasse a vice estaria preservado apesar das divergências entre as siglas nos estados, sobretudo em São Paulo.>
Enquanto o PT aposta em Fernando Haddad para retomar o estado dos tucanos, o PSB quer lançar França.>
Integrantes do PT e do PSB esperam que Alckmin tenha protagonismo na campanha para o Palácio do Planalto e também em um eventual governo, embora seus papéis ainda não estejam totalmente definidos.>
Alckmin comandou o governo paulista entre os anos de 2001 a 2006 e entre os anos 2011 a 2018, por quatro mandatos. Ele assumiu o cargo pela primeira vez devido à morte de Mário Covas, de quem era vice-governador, e no ano seguinte se reelegeu para comandar o estado paulista.>
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