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Ano de eleição

Mais da metade dos brasileiros não quer discutir política em 2022

Se consideramos que a construção e a transformação da política estão na capacidade de conversar e dialogar sobre, podemos ter à vista uma situação caótica ainda mais expressiva nas eleições deste ano

Publicado em 07 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 abr 2022 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Termina prazo para pedir a 2ª via do título de eleitor
Título de eleitor Crédito: Adriana Toffetti/A7Press/FolhapressAdriana Toffetti/A7Press/Folhapress
Inicio o artigo desta quinta (7) com uma manchete que é resultado de uma pesquisa do Instituto Locomotiva, que demonstra que mais da metade do eleitorado brasileiro não quer discutir política. Entre os homens, são 51% que admitem desistir de conversar sobre política em algumas situações. Já entre as mulheres, o número sobe para 57%.
Se consideramos que a construção e a transformação da política estão na capacidade de conversar e dialogar sobre, podemos ter à vista uma situação caótica ainda mais expressiva nas eleições de 2022. Aqui poderíamos levantar três situações que de uma forma ou de outra corroboram com a porcentagem: o efeito narcotizante do assunto, os históricos recentes de política do Brasil e as composições e narrativas.
Começando pelo efeito narcotizante, notamos que a política ganhou todas as pautas de jornais e assuntos nesses últimos anos. Tivemos uma pandemia sanitária e política. Falas, números, ataques, discrepâncias, quedas e trocas, tudo se tornou política. Logo, o acúmulo ou excesso de informação serve para "narcotizar" o cidadão em vez de estimulá-lo. Na teoria da comunicação, esse termo é muito caro: na disfunção narcotizante o indivíduo bombardeado pelos meios, com mensagens de toda espécie, se entorpece e deixa de se interessar e atuar no assunto.
Em seguida, podemos destacar o histórico recente. Há uma descrença e uma desesperança na política. Olhar para a história e compreender os fatos alimenta, sem dúvida alguma, a congestão política. Digerir o cenário e os atos de “lideranças” interesseiras, trapaceiras, irresponsáveis e amadoras inspira a lógica do “não tem jeito para o Brasil”. Alguns chegam a dizer: discutir pra quê?
Por fim, temos as composições e narrativas. Hora se fala uma coisa, hora outra. No que e em quem acreditar? As perguntas que permeiam a consciência de muitos nascem das incongruências dos contos políticos que não se sustentam e estão abruptamente desligadas dos comportamentos de quem as produz. Narrativas vazias e descréditas não endossam esperança nem interesse de cidadãos pela política.
Não obstante a tudo isso, precisamos admitir que os números são preocupantes para nós e sorridentes para os atores da política. Não falar e não discutir política escancara espaços para que os respectivos atores ajam sem rigor e sem limites. Embora estejamos estupefatos da política que impera, precisamos seguir olhando para o “imperador”. Discutir política é uma forma de lutar, de ser e de progredir ainda que o cansaço queira nos vencer.
O que parece é que os fatos e situações que estiverem vizinhos do dia das eleições defina a escolha. Os que não querem “discutir” política deverão votar pelo momento, pela situação da hora. A pesquisa qualitativa sugere que a população poderá medir o que está acontecendo em sua vida para decidir seu candidato: o preço da cenoura, da botija de gás, da conta de energia e do combustível poderá ter um poder enorme nas urnas.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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