Publicado em 27 de outubro de 2022 às 18:53
SÃO PAULO - A Pfizer entregou nesta quinta-feira (27) ao Ministério da Saúde o primeiro lote de sua vacina pediátrica contra Covid-19. O voo com origem de Puurs, na Bélgica, pousou às 5h04 no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, com 1 milhão de doses do imunizante, cujo uso foi aprovado em setembro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a população de 6 meses a 3 anos.>
As doses fazem parte de um aditivo ao terceiro contrato do ministério com a empresa. O acordo prevê 100 milhões de vacinas para o país ao longo de 2022, incluindo versões para diferentes faixas etárias e a possibilidade de fornecimento de versões modificadas do imunizante.>
A princípio, o imunizante deverá ser aplicado em crianças com comorbidades e ainda não foi divulgado o calendário de vacinação para o restante da população nessa faixa etária.>
Segundo o ministério, a remessa passará por análise do INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde) nos próximos dias para avaliação e controle de qualidade, e as orientações sobre aplicação, público-alvo e distribuição por estados serão publicadas em nota técnica a partir da próxima segunda (31).>
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De acordo com a Anvisa, a vacina deverá ser aplicada em três doses de 0,2 mL (equivalente a 3 microgramas) e, para diferenciá-la dos demais imunizantes, seus frascos terão tampa de cor vinho. Para crianças de 5 a 11 anos, a tampa é laranja e, para o público acima de 12 anos, roxa.>
O uso de diferentes cores de tampa é uma estratégia para evitar erros de administração, pois o produto requer diferentes dosagens conforme a idade das crianças. Isso facilita a identificação pelas equipes de vacinação e, também, pelos responsáveis pelos pequenos.>
A vacinação do público infantil tem sido alvo de preocupação. A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados pediu ao Ministério Público Federal (MPF) que investigue o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, por lentidão e falta de transparência no processo de imunização das crianças entre seis meses e quatro anos de idade.>
Para os deputados do PSOL que assinam a representação enviada à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, vinculada ao MPF, o ministro da Saúde pode estar se omitindo "para propositadamente não dar início à aplicação das vacinas em escala nacional" e violando artigo da Constituição que trata a saúde como direito de todos.>
Na última sexta (21), o ministro negou haver atraso. "Não tem atraso nenhum, absolutamente nem um segundo", disse durante evento em São Paulo.>
No Brasil, 1.508 crianças menores de cinco anos morreram por causa da Covid-19 em 2020 e 2021. Com isso, em dois anos, as mortes pela doença representaram mais do que o triplo das causadas, em uma década, por outras 14 doenças que podem ter mortalidade evitada por vacinação e outras ações de saúde.>
Apenas neste ano, até 8 de outubro, levantamento do Ministério da Saúde indicou a morte por Covid-19 de 270 crianças de um ano de idade e de 187 entre 1 e 5 anos. No período, houve 12.563 hospitalizações pela doença em crianças de até cinco anos, uma média de 44,8 por dia, segundo o Observa Infância, projeto ligado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz.>
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