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Defesa de Witzel relata 'grande surpresa' com ordem de afastamento do governo

A defesa disse que 'os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis'

Publicado em 28 de Agosto de 2020 às 11:39

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 ago 2020 às 11:39
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em evento em Vitória em agosto
Wilson Witzel em evento em Vitória, ES Crédito: Eduardo Dias - 23/08/2019
A defesa de Wilson Witzel (PSC) afirmou, em nota, que recebeu com "grande surpresa" a decisão de afastá-lo do cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro.
A medida, com validade inicial de 180 dias, foi determinada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves, que também autorizou o cumprimento nesta sexta-feira (28) de mandados de prisão e de busca e apreensão envolvendo a cúpula do poder estadual.
"A defesa recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade. Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis", disse a defesa em nota.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), também são alvos de busca o vice-governador, Cláudio Castro (PSC), e o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT). Castro assumirá o governo no lugar de Witzel.
Os policiais também buscam cumprir mandados de prisão contra o presidente do PSC, pastor Everaldo, e o ex-secretário estadual Lucas Tristão, braço direito de Witzel.
A primeira-dama do estado, Helena Witzel, é alvo de busca e apreensão. No total, a operação Tris in Idem prevê o cumprimento de 17 mandados de prisão, sendo 6 preventivas e 11 temporárias, e 84 de busca e apreensão.
Witzel é também alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio -o processo está travado, com recursos sobre a tramitação sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PGR, estruturou-se no governo estadual uma organização criminosa, dividida em três grupos que disputavam o poder mediante o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Liderados por empresários, esses grupos teriam loteado algumas das principais pastas estaduais, como a secretaria de Saúde, para implementar esquemas que beneficiassem suas empresas.
"O principal mecanismo de obtenção de recursos financeiros pelos grupos era por meio do direcionamento de licitações de organizações sociais, mediante a instituição de uma "caixinha de propina" abastecida pelas OSs e seus fornecedores, e a cobrança de um percentual sobre pagamentos de restos a pagar a empresas fornecedoras do estado", diz a PGR.
A ação desta sexta-feira é um desdobramento da Operação Placebo, deflagrada em maio, que apurava um suposto esquema de desvios de recursos públicos destinados ao combate ao coronavírus no estado.
A Procuradoria-Geral da República afirma ter provas que colocam Witzel "no vértice da pirâmide" dos esquemas de fraudes investigados no estado.

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