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Celso de Mello decide até as 17h desta sexta se libera vídeo de reunião

Fontes relataram ao "Estadão" que o decano ficou incrédulo com a gravação e a tendência do ministro é levantar o sigilo da íntegra do vídeo em nome do interesse público

Publicado em 22/05/2020 às 09h53
Atualizado em 22/05/2020 às 11h03
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), é relator do inquérito em que Sergio Moro acusa o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, vai decidir até as 17h desta sexta, 22, sobre o levantamento do sigilo da reunião ministerial do dia 22 de abril – peça-chave no inquérito que apure tentativas de interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. A decisão será tomada quatro dias após o ministro começar a assistir a gravação, na segunda (18).

Fontes relataram ao "Estadão" que Celso de Mello ficou incrédulo com o vídeo da reunião e, segundo interlocutores, a tendência do ministro é atender ao pedido do ex-ministro Sergio Moro e levantar o sigilo da íntegra do vídeo do presidente, em nome do interesse público.

Celso já destacou em uma decisão do início deste mês ‘não haver, nos modelos políticos que consagram a democracia, espaço possível reservado ao mistério’.

Até agora, apenas dois trechos da reunião foram tornados públicos, conforme transcrição feita pela Advocacia-Geral da União (AGU), que defende Bolsonaro no caso. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, afirmou o presidente na ocasião.

Em outro trecho divulgado, Bolsonaro disse aos auxiliares que não pode ser “surpreendido com notícias”. “Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação”, disse Bolsonaro.

“Quem é que nunca “ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que o seu filho ou a sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas] Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso — todos -— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não e’ extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou Bolsonaro.

Em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal na semana passada, o procurador-geral da República, Augusto Aras, se posicionou pela divulgação apenas de declarações do presidente Jair Bolsonaro relacionadas ao objeto do inquérito. Segundo o PGR, a divulgação da íntegra do material “o converteria em arsenal de uso político, pré-eleitoral, de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações”.

A posição de Aras é ainda mais restritiva, pró-Bolsonaro, do que a própria Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela defesa do presidente. A AGU se manifestou a favor da divulgação de todas as falas de Bolsonaro na reunião.

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