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É prefeito de Vitória

Vitória cada vez mais segura

Romper com o modelo exclusivamente reativo foi um passo decisivo. Investimos de forma estruturada na Guarda Civil Municipal, reconhecendo seu papel central na política de segurança

  • Lorenzo Pazolini É prefeito de Vitória
Publicado em 27/01/2026 às 14h50

Cidades mais seguras não são fruto do acaso. Elas nascem de políticas públicas consistentes, planejamento a longo prazo e continuidade administrativa. A segurança pública, quando tratada como política de Estado, estruturante e não apenas como resposta emergencial, torna-se um instrumento efetivo de proteção à vida e de fortalecimento do tecido social.

Em Vitória, os resultados recentes ajudam a ilustrar essa lógica. Indicadores como mais de 580 dias sem registro de feminicídio, a menor taxa de homicídios dos últimos 29 anos e a redução de 30% nas mortes no trânsito não surgem de forma isolada. Eles são consequência de uma estratégia que reposicionou a segurança pública da nossa capital por meio de projetos, programas e políticas públicas transversais, diálogo permanente, inteligência, tecnologia e presença qualificada nas ruas da cidade.

Nesse contexto, destaca-se a ampliação das escolas em tempo integral. Passamos de quatro unidades, em janeiro de 2021, para 41 em 2025, chegando a 50 ainda este ano. Crianças por mais tempo na escola possibilitam que as mães realizem cursos de qualificação oferecidos pela municipalidade, resgatem o protagonismo de suas vidas, tenham renda e rompam o ciclo de violência.

Essa lógica de prevenção também se expressa na requalificação dos espaços urbanos. A construção de novas praças e parques, a ressignificação de áreas antes degradadas e a ampliação da oferta de atividades esportivas e físicas em todas as comunidades contribuem diretamente para a convivência social, o “fair play” e o fortalecimento dos vínculos sociais e comunitários. Ao ocupar o espaço público com cultura, lazer, esporte e convivência, a cidade promove ambientes mais seguros, integrados, vivos e dinâmicos.

Romper com o modelo exclusivamente reativo foi um passo decisivo. Investimos de forma estruturada na Guarda Civil Municipal, reconhecendo seu papel central na política de segurança. Mais do que ampliar a presença física nas ruas, a gestão apostou na qualificação profissional, na valorização da carreira e na criação de condições adequadas de trabalho, entendendo que colaboradores bem preparadas são o principal ativo de qualquer política pública eficaz. Fomos a primeira Guarda Municipal do Brasil a integrar a força-tarefa da Polícia Federal e a oferecer curso de pós-graduação em Segurança Pública para seus agentes.

Desde 2021, Vitória renovou integralmente a frota de viaturas, adquiriu novos equipamentos, requalificou ambientes operacionais e ampliou de forma contínua a atualização profissional dos guardas municipais. A valorização profissional deixou de ser apenas uma diretriz discursiva para se tornar prática concreta, refletida em melhores condições de atuação, maior engajamento e uma relação mais próxima e direta com a população, sustentada por um plano de carreira claro e sólido.

Acidente na Avenida Dante Michelini, em Vitória
 Guarda Municipal de Vitória. Crédito: Álvaro Guaresqui/ TV Gazeta

Outro pilar fundamental dessa transformação foi o uso estratégico da tecnologia e da inteligência. O monitoramento por meio de mais de 1.155 câmeras, aliado à análise de dados e ao patrulhamento orientado por evidências, permitiu antecipar riscos, identificar padrões de comportamento e direcionar recursos de forma mais eficiente. A segurança pública, nesse contexto, passou a ser construída com informação qualificada, planejamento e menor tempo de decisão e resposta.

Os efeitos desse modelo são perceptíveis não apenas nos números, mas também na sensação de segurança da população. A recente incorporação de 102 novos guardas municipais, após mais de uma década sem concurso público, reforça essa lógica de presença qualificada em todos os territórios e continuidade. Ao ampliar o efetivo e fortalecer os vínculos com os bairros e lideranças comunitárias, a cidade consolida uma política que se baseia na proximidade, no diálogo e na confiança.

Segurança pública efetiva exige constância, investimento e capacidade de adaptação aos novos desafios urbanos. Cidades com políticas públicas baseadas em dados, valorização profissional, ocupação qualificada do espaço urbano, presença territorial e educação pública de qualidade e acesso ao esporte, arte e cultura podem, de fato, salvar vidas.

Seguir aprimorando esse modelo é essencial para que a cidade continue avançando na construção de um ambiente urbano mais seguro, humano e comprometido com a preservação da vida, hoje e no futuro.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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