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É presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares/Abrasel ES)

A urgência da representatividade em um setor que não pode parar

Celebrar 35 anos também é reconhecer que os desafios permanecem. A carga tributária elevada, a escassez de mão de obra qualificada, a necessidade constante de inovação e o diálogo permanente com o poder público continuam na agenda do setor

  • Rodrigo Vervloet É presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares/Abrasel ES)
Publicado em 09/01/2026 às 16h03

Ao longo de mais de três décadas, o setor de bares e restaurantes do Espírito Santo atravessou transformações profundas, acompanhando mudanças no comportamento do consumidor, na dinâmica das cidades e nas exigências do próprio mercado.

Nesse cenário de constante adaptação, a atuação do Sindbares/Abrasel ES consolidou-se como um elemento de equilíbrio e representação, reunindo empresários em torno de pautas comuns e contribuindo para a construção de um ambiente de negócios mais organizado e profissional. Os 35 anos da entidade, portanto, não se resumem a um marco temporal, mas refletem uma trajetória de diálogo, amadurecimento institucional e defesa permanente do setor.

O foodservice mudou, e mudou muito. Novos hábitos de consumo, transformações tecnológicas, exigências regulatórias cada vez mais complexas e, mais recentemente, crises que testaram a capacidade de adaptação dos empresários marcaram esse percurso.

Em cada uma dessas fases, o papel do sindicato foi representar, orientar e dialogar, atuando como ponte entre o empreendedor e o poder público. Nesse processo, houve atuação firme na defesa do setor diante da carga tributária e de propostas de aumento de impostos e encargos que poderiam comprometer ainda mais a sustentabilidade dos negócios.

A interlocução técnica e permanente buscou evitar decisões que recaíssem diretamente sobre o bolso dos empresários, preservando empregos e a viabilidade econômica do foodservice capixaba.

Ao longo dessa trajetória, poucos períodos foram tão desafiadores quanto os anos da pandemia. O fechamento abrupto de estabelecimentos, a insegurança jurídica, a queda brusca no faturamento e a necessidade de decisões rápidas colocaram à prova a sustentabilidade de milhares de negócios.

Nesse contexto, a atuação do sindicato ganhou ainda mais relevância ao articular o diálogo com o poder público, orientar empresários e defender medidas que permitissem a sobrevivência do setor. Além disso, a entidade atuou diretamente em negociações envolvendo tributos, taxas e exigências fiscais que, se mantidas, agravariam ainda mais o cenário já crítico enfrentado pelos empresários. O momento evidenciou, de forma concreta, a importância de uma representação organizada, técnica e permanente.

Em 2025, não foi diferente. O Sindbares/Abrasel ES manteve uma atuação firme na defesa de pautas estruturantes para o setor. Entre elas, esteve a mobilização pela possibilidade de beneficiários de programas sociais ingressarem na formalidade sem o risco imediato de perda de renda, um debate essencial em um segmento intensivo em mão de obra.

No campo das políticas de recuperação econômica, o sindicato se posicionou de forma crítica diante das limitações do Perse, que acabou excluindo milhares de pequenos negócios, reforçando a urgência de medidas específicas para a realidade do setor no Estado.

Esse trabalho de articulação ganhou ainda mais força com a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Bares e Restaurantes na Assembleia Legislativa, iniciativa que ampliou o diálogo institucional e fortaleceu a representatividade do segmento.

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Bares e restaurantes. Crédito: Bridgesward/ Pixabay

Nesse contexto, a entidade também se consolidou como um braço de apoio direto aos empresários, atuando não apenas na representação institucional, mas no suporte cotidiano ao setor. No esclarecimento de questões jurídicas, na orientação técnica ou na defesa de pautas estratégicas em interlocução com outros poderes, como a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado, o sindicato assumiu um papel ativo na construção de soluções e no enfrentamento de desafios que impactam diretamente a atividade empresarial.

A superação desse período crítico deixou aprendizados importantes. O setor saiu mais atento à gestão, à inovação e à necessidade de planejamento, enquanto o sindicato consolidou seu papel como interlocutor qualificado em momentos de crise.

Nesse sentido, a trajetória do Sindbares/Abrasel ES se confunde com a própria profissionalização do setor. Ao longo dos anos, avançamos na defesa de um ambiente de negócios mais equilibrado, na valorização da formalização e na construção de soluções coletivas para desafios comuns. Isso significa compreender que bares e restaurantes não são apenas espaços de convivência, mas empresas que geram empregos, movimentam a economia e contribuem para o desenvolvimento do Estado.

Celebrar 35 anos também é reconhecer que os desafios permanecem. A carga tributária elevada, a escassez de mão de obra qualificada, a necessidade constante de inovação e o diálogo permanente com o poder público continuam na agenda do setor. São temas que exigem maturidade institucional, escuta ativa e capacidade de articulação, atributos que só se consolidam com o tempo.

O futuro do foodservice capixaba passa, inevitavelmente, pela união e pela representatividade. Um sindicato forte não se constrói apenas em momentos de crise, mas no trabalho contínuo, técnico e responsável.

Ao completar 35 anos, o Sindbares/Abrasel ES reafirma seu compromisso de seguir atuando de forma estratégica, olhando para os próximos desafios com a mesma disposição que marcou sua história.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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