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Porto da Suzano, em Aracruz, 
consegue automatizar 
movimentação de celulose
Porto da Suzano, em Aracruz, consegue automatizar movimentação de celulose. Crédito: Portocel/Divulgação

Robótica e realidade mista avançam na indústria capixaba

Internet das coisas e inteligência artificial têm sido usadas pelas empresas locais nos parques fabris para aumentar produção, segurança e eficiência

Vitória
Publicado em 24/11/2021 às 03h40

Propulsora de desenvolvimento, a tecnologia tem transformado o dia a dia das empresas no Espírito Santo, que cada vez mais investem em inovação para dinamizar a produção, reduzir custos e até mesmo criar novas oportunidades de emprego.

As companhias “inteligentes” têm combinado robótica, inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e diversos outros elementos para continuar crescendo. O diretor da fábrica de chocolates Garoto, Michey Piantavinha, destaca que a indústria 4.0 — modelo em que a produção é baseada na interação automatizada entre a máquina e um sistema digital — já era uma realidade dentro da empresa, mas pontua que no último ano, principalmente, o processo de transformação tecnológica da companhia foi acelerado.

“Em 2020, anunciamos um plano de investimentos de cerca de R$ 200 milhões nas operações em Vila Velha, que englobou além de lançamentos, ampliação e modernização da unidade, com conceito de indústria 4.0, para torná-la ainda mais digital e conectada. E todo o nosso time da fábrica [mais de 1.450 colaboradores] está envolvido nesse processo.”

De acordo com Piantavinha, atualmente, a Chocolates Garoto trabalha em três linhas de orientação à indústria 4.0. A primeira delas é por meio do uso de robotização para os processos mais complexos, o que exige mão de obra especializada. A segunda frente é a da autonomia para operação por meio de configurações digitais, para que o colaborador tenha autonomia para tomada de decisões com apenas um toque. A terceira é a otimização ou eliminação de processos por meio de inteligência artificial ou mecanismos digitais que levem o negócio a ter mais eficiência.

“Com a aquisição e desenvolvimento de tecnologias de alto nível, queremos promover o desenvolvimento e capacitação dos colaboradores dentro da cultura de transformação digital.”

Seguindo para a Região Sul do Estado, o Portocel, localizado em Aracruz, implementou uma solução que têm contribuído para agilizar a movimentação de celulose no terminal. Trata-se do equipamento spreader automático, equipamento que faz o engate automático dos fardos de celulose que são içados para o porão dos navios, agilizando o embarque.

A solução, que entrou em operação neste ano, nasceu da inquietação da própria equipe de Portocel, que buscava uma maneira mais eficiente e segura de embarcar os fardos de celulose nos navios.

Segundo a companhia, a tecnologia, desenvolvida em parceria com as empresas Pöyry, Forte Mar e Saur, estabeleceu um novo patamar de eficiência na movimentação de celulose e, com ele, a Portocel ganhou mais espaço para expandir serviços e explorar novas oportunidades de negócio, consolidando-se como opção logística diferenciada.

O equipamento, inclusive, já vem despertando o interesse de outros portos que movimentam celulose ao redor do mundo, de acordo com o gerente executivo de Operações Portuárias da Portocel, Alexandre Billot Mori.

“O spreader automático é resultado de um intenso trabalho de estudo, planejamento e desenvolvimento de soluções de engenharia inovadoras e sustentáveis, processo que contou com o trabalho incansável de nossas equipes e com parcerias importantes, colocando nosso porto em um novo patamar na movimentação de celulose.”

Também visando a dinamizar suas operações, a Petrobras passou a adotar uma nova tecnologia: óculos de realidade mista, que permitem que técnicos especializados prestem assistência remota aos profissionais embarcados, durante a realização de manutenções, inspeções e outras atividades em plataformas.

O Hololens 2, como é chamado o dispositivo, começou a ser utilizado primeiro na P-57, uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo), localizada no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, a 80 km da costa do Espírito Santo. Contudo, deve chegar às outras plataformas da companhia futuramente.,

Os  óculos Hololens 2 permitem a assistência remota com um guia de atividades nas plataformas da Petrobras
Óculos especiais permitem ver interior da plataforma de petróleo que opera no mar, no Litoral Sul do Estado . Crédito: Ehder Souza/Agência Petrobras

A petroleira também está investindo em uma rede de internet 4.5G nas plataformas de petróleo no litoral capixaba, que permitirá a conexão entre sondas e embarcações no entorno das áreas de exploração e produção. Trata-se de uma versão mais avançada do 4G utilizado atualmente e faz parte das iniciativas de transformação digital das áreas de negócio da companhia.

Tanto as áreas localizadas na Bacia do Espírito Santo, quanto na Bacia de Campos e na Bacia de Santos serão atendidas. Além da cobertura no entorno das plataformas, para permitir a conectividade de sondas e embarcações, a rede será ofertada dentro das unidades.

A gestora de inovação do FindesLab, Naiara Galliani, observa que a tecnologia está presente nas empresas que querem ser mais competitivas. E o próprio hub de inovação tem auxiliado no desenvolvimento de uma série de projetos. Ela revela que uma das companhias que têm se beneficiado de parcerias com empresas de base tecnológica é a ArcelorMittal, para a qual foi estruturado um braço mecânico, que passou a desenvolver tarefas que antes eram feitas de modo manual.

Naiara explica que há uma série de investimentos em robótica sendo feitos, principalmente para aplicação em processos repetitivos, mas também há uso de inteligência artificial, como é o caso de um sistema que tem ajudado empresas a filtrar poluentes antes mesmo que sejam emitidos.

Paralelamente, o comércio também tem se beneficiado das iniciativas. Naiara pontua, por exemplo, que uma startup mineira desenvolveu uma proposta de marketplace — site de vendas nas internet que geralmente reúne múltiplas lojas — para a Fortlev, a partir de um desafio lançado pela empresa em um edital e inovação aberta do FindesLab.

A ideia foi aceita e hoje os processos de venda da empresa especializada em caixas-d’água, tubos e conexões em PVC acontecem por meio desse canal.

“Foi um parceria que deu tão certo que essa startup mudou-se para o Espírito Santo, a Fortlev cresceu, anunciou várias vagas de emprego. Foi um processo acelerado pela pandemia, e não só melhorou o canal de vendas da companhia, como também gerou — e ainda gera — benefícios à economia capixaba.”

Tecnologia desenvolvida no Estado também chega a outros lugares. A startup Olho do Dono, por exemplo, desenvolveu uma solução para realização da pesagem de gado no pasto com uma câmera 3D, que já foi, inclusive, premiada internacionalmente. O projeto está ligado ao chamado Agro 5.0, que consiste em uma produção mais conectada, que utiliza, por exemplo, as tecnologias de sensores, que fornecem dados que auxiliam a produzir mais, melhor e com menos custos.

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