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Temperaturas caem e geada é registrada no Parque Nacional do Caparaó
Temperaturas caem e geada é registrada no Parque Nacional do Caparaó. Crédito: Redes Sociais/@parquenacionaldocaparao

Natureza coloca Caparaó capixaba na rota dos investimentos

Caparaó precisa reforçar integração entre cidades para impulsionar o empreendedorismo, o cooperativismo e o associativismo

Publicado em 24/11/2021 às 04h00

Belezas naturais e agricultura forte. As duas características são marcantes nos 12 municípios que fazem parte do Caparaó, microrregião capixaba que tem a natureza como seu maior patrimônio.

O charme desse território e todo seu potencial ambiental são ativos que podem proporcionar mais desenvolvimento e competitividade ao local, aponta o panorama de desafios e potencialidades traçado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) até 2030. E é justamente a utilização sustentável desses recursos que pode gerar riquezas, criar emprego, formar renda e possibilitar melhorias sociais para quem vive nesse paraíso.

Uma das estratégias para alavancar o desenvolvimento no Caparaó é a valorização da cobertura vegetal, mananciais hídricos e pontos turísticos, como Pico da Bandeira e Cachoeira da Fumaça.

Até 2024, o Caparaó deve receber investimento de mais de R$ 550 milhões, em 48 projetos, nos setores da indústriaconstrução civil, eletricidade e gás; comércio, serviço e administração pública; e educação.

Segundo dados do IJSN, o Produto Interno Bruto (PIB) da região é de pouco mais de R$ 3 bilhões, o que representa menos de 3% do montante estadual.

A economia dessas cidades gira em torno do setor primário, sobretudo a cafeicultura, com intensa vocação para o cultivo do arábica. Para se ter uma ideia da importância deste segmento, a agropecuária compõe 18% do PIB local.

“Isso demonstra o valor do agronegócio para essa microrregião, sobretudo a agropecuária, contribuindo para a composição da economia do Estado”, destaca o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira.

O café (em grãos) da região corresponde a 14% do valor da produção do Espírito Santo. Apesar de o cultivo do fruto estar presente em todos os municípios do Caparaó, o destaque fica com Iúna. O cultivo está presente em mais de 13,5 mil hectares, totalizando a colheita de mais de 17 mil toneladas por ano. A produção soma R$ 110 milhões.

Pico da Bandeira é atração muito visitada do Parque Nacional do Caparaó
Pico da Bandeira é atração muito visitada do Parque Nacional do Caparaó. Crédito: Parque do Caparaó/Divulgação
Nemrod Emerick

Nemrod Emerick

Prefeito de Alegre

"Há diversos trabalhos sendo feitos para contribuir com o desenvolvimento da agricultura, como o polo de fruticultura encabeçado pela Ufes e que abrange todos os municípios da região. Outra iniciativa é o da empresa júnior do Ifes, que desenvolve pesquisas para a melhoria da qualidade do café"

O prefeito de Alegre, Nemrod Emerick, o Nirrô, afirma que as propriedades rurais da cidade estão caminhando para o processo de melhoria do fruto. Mas também há casos de sucesso já reconhecidos em outros municípios, como Dores do Rio Preto, onde são produzidos cafés especiais.

Para serem mais competitivos, frisa Nirrô, os produtores precisam se organizar, participar de treinamentos e se profissionalizar. “O fruto é valorizado de forma considerável se for de qualidade. Incentivar essas melhorias vai fortalecer a produção agrícola”, ressalta.

Outras culturas são relevantes na região. Muniz Freire se evidencia com a produção de tomate, batata-inglesa, banana, mandioca, uva e palmito. O município também é responsável por produzir o maior volume de leite da região. São mais de 12 mil litros por ano, totalizando R$ 14,5 milhões. A pecuária leiteira do Caparaó representa 18% da fabricação do Estado.

Plantação de café arábica no município de Pedra Menina-ES, na região do Caparaó
Plantação de café arábica é uma das principais atividades da Região do Caparaó. Crédito: Roberto Barros/Divulgação

PERFIL DA REGIÃO

Com um área de 3.831,44 quilômetros, o Caparaó ocupa 8,31% do território do Estado e tem 187 mil pessoas divididas pelos municípios de IbatibaIrupiIúnaIbitirama, Muniz FreireDivino de São LourençoJerônimo Monteiro, Alegre, Dores do Rio Preto, GuaçuíSão José do Calçado e Bom Jesus do Norte.

A vida de quem vive nesse paraíso tem se refletido em bons números sociais e na logenvidade. “Há área urbana, mas grande parte dos habitantes ainda vive no meio rural. Algo que chama atenção é a esperança ao nascer, que atinge a marca de 0,834, um bom índice para mostrar a qualidade de vida que a região oferece para seus moradores”, ressalta Lira. Quanto mais próximo de um, maior é o desenvolvimento e maior é a expectativa de vida.

Na avaliação da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), o turismo rural e ambiental é um dos vetores de crescimento na microrregião. Entre os destaques desses municípios estão cachoeiras, rios e trilhas, sem contar o potencial do Parque Nacional do Caparaó, localizado na divisa do Estado com Minas Gerais, que é coberto pela Mata Atlântica.

Desafio da região é expandir chances de negócios

Para os próximos anos, há grandes desafios a serem encarados pelos municípios da região do Caparaó para se tornarem conectados e desenvolvidos. Um deles é a geração de novos negócios e capacitação dos trabalhadores locais.

Além disso, o aprimoramento da logística pode contribuir para ampliar a escala das atividades empreendedoras, bem como explorar a biodiversidade regional, com a geração de pesquisas e fortalecimento do capital social.

“A ideia é promover a capacitação, reforçar o empreendedorismo e aproveitar as instituições técnicas e superiores que já estão instaladas na região. O desafio é reforçar essa integração para impulsionar o empreendedorismo, o cooperativismo e o associativismo”, elenca o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira.

Na avaliação do vice-presidente do Conselho Regional de Economia, seccional Espírito Santo (Corecon-ES), Leandro Lino, para que essa região se desenvolva e se torne mais competitiva, é necessário que os agricultores cultivem novos produtos como forma de agregar valor às suas propriedades.

“A agricultura familiar é predominante e hoje observamos um movimento de retorno dos jovens para o campo. Novas tecnologias estão chegando, melhorando a produção, e por que não investir em inovação?”, questiona Lino.

Outro potencial econômico importante é o setor de serviços, que corresponde a 64% do PIB do Caparaó. A vocação desse setor fica por conta do comércio e da educação. Neste último quesito, por exemplo, Alegre, se destaca com o polo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), atendendo os municípios da região, além do sul mineiro e norte fluminense.

Na avaliação da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), o turismo rural/ambiental é um dos setores de crescimento na microrregião. Dentre os destaques desses municípios estão cachoeiras, rios e trilhas.

Ainda na opinião da entidade, a região é propícia para a exploração turística, pois conta com o Parque Nacional do Caparaó (Parna), localizado na divisa do Estado com Minas Gerais, com cobertura vegetal de Mata Atlântica predominante.

A valorização dos cafés, queijos e outros produtos da região e a diversificação agrícola também fazem parte da estratégia de valorização da região.

Dores do Rio Preto, região do Caparaó
Dores do Rio Preto se destaca pela produção do agro. Crédito: Vitor Jubini

Ainda em relação à iniciativas com potencial para alavancar o turismo e a economia, o prefeito de Alegre, Nemrod Emerick, o Nirrô. comenta que está prevista a volta do festival de música de Alegre a partir de 2023, evento suspenso há seis anos.

Um outro ponto que pode ajudar as cidades do Caparaó é a união das cidades em torno do agroturismo. “Podemos nos considerar uma nova Pedra Azul porque estamos avançando neste quesito. Queremos nos fortalecer e crescer ainda mais. Temos todas as condições necessárias para isso”, salienta Nirrô.

Os prefeitos das cidades da região estão organizados por meio do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Território do Caparaó para atrair investimentos e fazer a região voltar a crescer de forma sustentável.

Município de Ibatiba, na Região do Caparaó
Ibatiba está entre as cidades do Caparaó que têm cobertura vegetal em boa parte do território . Crédito: Divulgação/PMI

“Cada município tem a sua particularidade. O consórcio reúne os 11 municípios do Caparaó, além de ApiacáBom Jesus do Norte Muqui. Para que haja desenvolvimento, também apostamos nos investimentos do governo estadual em infraestrutura”, comenta.

O economista Vaner Corrêa, observa que qualquer iniciativa que for implantada na região, precisa da participação efetiva do Estado. Segundo ele, há um grande potencial de crescimento no local, tanto para os cafés especiais quanto para o turismo.

Vaner Corrêa

Economista

"É uma região muito rica. Dinamizar as cadeias produtivas, articular produtores em temas chaves, dando mais força ao agronegócio. Facilitar o acesso ao crédito também poderia ajudá-los nesse desenvolvimento"

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